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A JADRC – Jovens Associados para o Desenvolvimento Regional do Centro reconhece a importância da barragem de Girabolhos, mas subscreve as exigências de contrapartidas dos autarcas de Seia e Gouveia pela sua construção.
“A construção de infraestruturas públicas de grande envergadura deve ser acompanhada não só de benefícios técnicos e ambientais, mas também de um quadro de compromissos que reforcem a coesão territorial e contribuam para corrigir desigualdades estruturais que afetam o interior do país”, defende a associação sediada em Coimbra.
Na quarta-feira, Luciano Ribeiro, presidente da Câmara de Seia, no distrito da Guarda, exigiu, como contrapartidas para a construção da barragem de Girabolhos, “a correção imediata do tarifário da água cobrado em alta, que penaliza severamente os municípios do interior, e a concretização das acessibilidades rodoviárias (IC6, IC7, IC37, IC12) há décadas prometidas e sistematicamente adiadas”.
“Mais do que a barragem de Girabolhos, isto sim, são investimentos fundamentais para o desenvolvimento da região e bem-estar das suas populações”, justificou Luciano Ribeiro.
Também presidente da Câmara de Gouveia, Jorge Ferreira, reconheceu a importância estratégica da Barragem, mas exigiu contrapartidas para o território, nomeadamente por investimentos estruturantes nas acessibilidades.
Segundo o autarca, “este projeto tem de vir associado à melhoria das ligações rodoviárias, nomeadamente ao eixo Gouveia–Mangualde e ao acesso à [autoestrada] A25”.
A JADRC subscreve “integralmente” estas posições quanto à exigência de “contrapartidas claras, vinculativas e concretas por parte do Governo como condição de justiça territorial no quadro deste processo”.
A associação reconhece que a construção desta barragem no rio Mondego é um projeto “de grande relevância para a região Centro e o Vale do Mondego, pela sua contribuição potencial para a gestão hídrica, mitigação de cheias e fortalecimento da resiliência territorial”.
Considera, no entanto, que as exigências são “condições fundamentais para que o processo da barragem de Girabolhos seja verdadeiramente integrado num projeto de desenvolvimento sustentável e equilibrado, que respeite os territórios onde a obra se insere e promova justiça territorial”.
A JADRC apela, por isso, a um diálogo político “sério, transparente e orientado para resultados concretos”, e que o Governo assuma “compromissos efetivos de coesão territorial, em linha com as exigências manifestadas pelo presidente da Câmara de Seia”.
Para os Jovens Associados para o Desenvolvimento Regional do Centro, só assim se evitará que “as soluções propostas não se transformem em novos fardos para as comunidades locais, mas sim em oportunidades de desenvolvimento e prosperidade sustentada para toda a região Centro e os territórios do interior”.
A Câmara de Seia já solicitou uma “audiência urgente” à ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, que, na terça-feira, anunciou que o concurso público para a construção da barragem de Girabolhos vai ser lançado até final de março.
“Vou fazer um despacho a solicitar à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) para lançar o concurso de Girabolhos até ao final de março”, informou Maria da Graça Carvalho, em Coimbra, onde participou numa reunião daquela entidade sobre a situação no Mondego e definição e articulação de medidas de mitigação e controlo de cheias na região.
A APA vai agora definir o calendário da construção e dos objetivos da barragem de Girabolhos.
O projeto abrange território dos concelhos de Seia e Fornos de Algodres, no distrito da Guarda, e de Nelas e Mangualde, no distrito de Viseu. Marco Almeida, autarca de Mangualde, congratulou-se já com o avanço deste projeto.
A governante avançou ainda que o vencedor do concurso público irá receber uma compensação, “pelo trabalho público que faz por controlar as cheias”.
A construção da barragem de Girabolhos está incluída na estratégia nacional ‘Água que Une’ para o abastecimento e distribuição eficiente de água.
Era um de 10 novos empreendimentos do Programa Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroelétrico, lançado pelo governo de José Sócrates, mas a sua construção foi cancelada em abril de 2016, quando já tinha sido concessionada à Endesa.