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Chuvas intensas e descargas nas barragens: o que está realmente a acontecer?

Especialista explica os fenómenos meteorológicos extremos, a gestão das barragens e os impactos nos rios e nas populações ribeirinhas

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 Chuvas intensas e descargas nas barragens: o que está realmente a acontecer?

Portugal atravessa um período prolongado de chuva intensa, com um grande impacto nos rios e nas infraestruturas hidráulicas. Em entrevista ao Jornal do Centro, o especialista em recursos hídricos Pedro Baila Antunes explica o que está a acontecer, porque estão a ser feitas descargas nas barragens e quais os riscos atuais.

De acordo com Pedro Baila Antunes, os fenómenos meteorológicos registados nas últimas semanas enquadram-se num padrão que tende a tornar-se mais frequente. “Com as alterações climáticas em Portugal, e a nossa região em particular já está a sentir, os fenómenos meteorológicos vão ser mais intensos, prolongados e aleatórios”, afirma.

Segundo o especialista, estes fenómenos meteorológicos extremos podem ocorrer em qualquer altura do ano. “Eles podem vir a qualquer momento, seja uma seca ou uma chuva intensa”. Atualmente, Portugal enfrenta um período de precipitação muito elevada. “Neste momento temos, como agora se costuma dizer, um comboio de tempestades que provocaram uma pluviosidade extremamente significativa”.

O impacto é visível no caudal dos rios, em particular no Mondego. “O caudal no Rio Mondego, neste momento, é muito, muito, muito superior à média”. Pedro Baila Antunes explica que, em condições normais, “a média, andamos pelo menos numa grandeza abaixo de 100 metros cúbicos por segundo”, enquanto atualmente “estamos em mais de 2.000 metros cúbicos por segundo”.

A barragem da Aguieira tem vindo a amortecer parte destes volumes, mas a sua capacidade está esgotada. “A barragem foi encaixando alguns dos excessos, mas, precisamente hoje, pode acontecer uma chatice nos diques do Rio Mondego, que já não têm essa capacidade de encaixe”. 

O especialista alerta para os limites das infraestruturas existentes a jusante de Coimbra. “Os próprios diques do Rio Mondego, na zona do Baixo Mondego, a jusante de Coimbra, aguentam até, precisamente, 2.000 metros cúbicos por segundo. Neste momento, isso já vai ser largamente ultrapassado”.

Segundo explica o professor, a situação tem sido gerida enquanto houve pausas na precipitação. “Temos aguentado, mas já não dá mais, porque havia momentos em que parava a chuva e íamos drenando, mas agora já não”. Sobre os riscos, sublinha “isto é público, não estou a ser alarmista, podem ser derrubados [os diques]”.

Questionado sobre quando devem ser feitas as descargas nas barragens, Pedro Baila Antunes explica o princípio de funcionamento. “Deve haver um caudal mínimo, que é o caudal ecológico, para o rio ter peixes e a fauna e flora em condições, mas depois, normalmente, vai-se armazenando e vai-se libertando para produzir, no caso da barragem da Aguieira, energia hidroelétrica”. 

Em situações de excesso, a gestão muda. “Quando há excessos de caudal, como foi nos últimos dias, se a barragem for tendo capacidade, vai aguentando, vai armazenando, libertando o mínimo possível para não chegarmos aos 2.000 depois da barragem, mas a certa altura, como a partir de ontem, salvo erro, e hoje não tenho dúvidas, a barragem já está no limite, então tem que libertar toda a água que chega, porque a própria barragem depois estaria em risco”. 

Sobre o impacto das descargas nos rios e nas populações ribeirinhas, o especialista aponta um problema estrutural. “Em Portugal temos um erro: construímos em leito de cheia, isto é, em zonas que poderão ter cheias de vez em quando”. 

Pedro Baila Antunes explica que a frequência destes fenómenos se alterou. “Antigamente, eram leitos de cheia em que aconteciam fenómenos, vamos supor, de 20 em 20 anos. Agora, com as alterações climáticas, acontecem de 5 em 5 anos”. 

Para o especialista, “temos que deixar de construir em leitos de cheia e começar a afastar-nos cada vez mais dos rios”.

As consequências fazem-se sentir sobretudo a jusante. “Isto são as inundações mais típicas, sobretudo na parte de jusantes, já mais próximo do mar, como acontece no Baixo Mondego”. No entanto, alerta também para outros cenários. “Depois há as outras inundações que podem, infelizmente, acontecer, como hoje, decorrente de desastres infraestruturais, nomeadamente o rebentamento de um dique”.

Para Pedro Baila Antunes, os acontecimentos recentes acabam por reforçar a necessidade de adaptação às novas condições climáticas. “Os fenómenos meteorológicos extremos vão acontecer com muito mais frequência. Temos que preparar, por um lado, infraestruturalmente, o exemplo dos diques, a capacidade de armazenamento das barragens – eu, por exemplo, não era muito a favor da barragem de Girabolhos, atualmente já começo a inclinar-me – mais barragens para aguentarmos mais água”.

O especialista defende também um reforço da capacidade de resposta operacional. “Por outro lado, obviamente o sistema de proteção civil, muito mais preparado para estas situações”. Nesse contexto, refere uma proposta recente no debate público. “Ainda ontem, um candidato à Presidência da República, o Almirante Gouveia e Melo, propôs uma coisa interessante, nomeadamente haver um braço do Exército, como há em Espanha e noutros países, preparado ou dirigido, focado na proteção civil”.

Pedro Baila Antunes destaca ainda a necessidade de garantir serviços essenciais em situações prolongadas de crise. “Por exemplo a nível da eletricidade, temos que ter muito mais geradores, temos que ter uma bolsa de geradores preparada para que não aconteça o que está acontecer neste momento em Leiria, em que há populações há quase 20 dias sem luz”.

A nível local, sublinha o papel dos municípios. “Temos que ter planos de contingência muito bem preparados, a começar dos municípios”. Segundo explica o professor, essa preparação deve acontecer antes dos avisos oficiais. “Os municípios, muito antes de virem os avisos da proteção civil, têm que lançar, como Coimbra fez muito bem, proativamente a preparação do pré-tempestade – as pessoas, individualmente, serem avisadas mais devidamente e, por outro lado, os próprios sistemas de proteção civil”, refere.

Para o especialista, a abordagem futura deve ser antecipatória. “Temos que ter uma atitude muito mais preventiva e proativa antes da tempestade vir”, e lembra que “cada vez mais, os sistemas de informação meteorológica antecipam as situações”.

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