No coração verde do concelho de Viseu, Côta é uma aldeia onde…
Nasceu, em Cinfães, a Quinta da Maria, um projeto turístico com alma…
No coração do Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros, há…
por
Pedro Escada
A mudança política que ocorreu em Viseu nas últimas eleições autárquicas marcou o início de um novo ciclo na vida do concelho. Depois de largos anos de governação de um mesmo espaço político, os viseenses decidiram confiar a liderança da Câmara Municipal a João Azevedo e à equipa que o acompanha.
Como cidadão independente, considero que qualquer novo executivo merece aquilo que na política raramente se concede: tempo para governar. Projetos estruturais não se constroem em poucos meses e a gestão de uma autarquia exige conhecimento da máquina administrativa, adaptação das equipas e definição de prioridades.
Seria injusto exigir resultados imediatos em matérias que dependem de planeamento, financiamento e procedimentos administrativos demorados. Mas uma coisa é conceder tempo; outra bem diferente é abdicar de acompanhar, questionar e participar.
O executivo municipal tem legitimidade para implementar o programa que foi sufragado pelos viseenses. Mas a sociedade civil tem, por sua vez, a responsabilidade de acompanhar de forma informada os passos que estão a ser dados para cumprir o que foi prometido.
Nestes primeiros tempos começam já a desenhar-se algumas opções que merecem reflexão.
Uma delas prende-se com a decisão de não avançar, pelo menos para já, com o Centro de Artes e Espetáculos. Trata-se de um projeto que vinha a ser discutido há anos e que dividia opiniões, mas que quanto a mim seria fundamental para a afirmação de Viseu em termos Culturais.
Outra questão relevante é a gestão da água. Independentemente das soluções escolhidas no futuro, trata-se de um serviço essencial e altamente sensível para os cidadãos. Qualquer mudança de modelo deve ser acompanhada de total transparência, estudos claros e garantias de que os interesses dos Viseenses serão defendidos e que a qualidade do serviço e sustentabilidade financeira serão garantidos
Há ainda compromissos assumidos durante a campanha que continuam naturalmente sob observação pública. Um deles é a promessa da gratuitidade dos transportes urbanos. A ideia tem méritos evidentes do ponto de vista social e ambiental, mas exige também sustentabilidade financeira e uma reorganização da rede. Será importante perceber que passos concretos estão a ser dados nesse sentido.
A governação municipal não se esgota, naturalmente, nestes temas. Há outros desafios igualmente relevantes: a política de habitação, o desporto, a relação da cidade com as freguesias rurais, a atração de investimento e a capacidade de reter talento jovem. São matérias estruturais que definirão o futuro de Viseu na próxima década.
Dar tempo ao executivo municipal não significa afastar-se da vida pública. Significa, pelo contrário, acompanhar com atenção, questionar quando necessário e contribuir com ideias e propostas.
A democracia local precisa de vigilância serena, de debate construtivo e de uma participação cívica permanente, bem como de uma oposição capaz e uma maioria que compreenda que, num município de dimensão humana, o poder constrói-se também com a participação serena e exigente de todos.
por
Pedro Escada
por
Vítor Santos
por
Cátia Neto Ferreira