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Um mundo a sofrer com o aquecimento global, ao mesmo tempo em que os seus habitantes parecem ficar cada vez mais frios, vai ser mostrado no sábado à noite, em Tondela, no espetáculo comunitário da Queima e Rebentamento do Judas.
“Um buraco no gelo” é o título que dá o mote a mais uma Queima e Rebentamento do Judas, tradição que foi reinventada há 30 anos pelo Trigo Limpo Teatro ACERT e que cruza o teatro, a música, o movimento, o fogo e a construção cenográfica.
O ator Pompeu José, do Trigo Limpo Teatro ACERT, explicou à agência Lusa que o objetivo foi construir um espetáculo em torno de uma ironia do mundo atual.
“Enquanto falamos cada vez mais que há um degelo e um aquecimento global, parece que gelamos os nossos corações. Gelamos uns com os outros, gelamos a sociedade e deixamos de ter emoções, deixamos de reagir”, afirmou.
No mundo gelado que será apresentado no sábado no recinto da feira semanal de Tondela, no distrito de Viseu, quem manda é “um urso polar muito bonzinho, muito fofo, mas que vai gelando”.
Pompeu José avançou à Lusa que a história começa quando um feiticeiro, ao ver o estado do mundo, “manda fazer um espelho para ampliar a realidade, o bem e o mal”, de forma que as pessoas se apercebam do que se passa.
Pedaços partidos do espelho vão acabar por gelar o coração de algumas pessoas “e a sociedade fica ainda mais dividida”, contou o ator, acrescentando que “os que têm o coração gelado vão dominar o mundo, com o urso a mandar”.
“Surge a dúvida: ainda seremos capazes de continuar a reagir ao ponto de acabar com as injustiças, que metaforicamente são queimadas no Judas?”, questionou.
Segundo o ator, o objetivo não é incitar à violência, mas “metaforicamente mostrar que é preciso reagir, deixar de estar adormecidos, gelados e sem sentimentos”.
O espetáculo está, durante os cinco dias desta semana, a ser construído de raiz por 350 pessoas, a maioria das quais jovens que ocupam as férias da Páscoa nas oficinas da Queima e Rebentamento do Judas.
“É um exemplo vivo de que não faz sentido aquela etiqueta que se põe aos jovens de que só estão ligados às máquinas e não querem saber da comunidade”, considerou o ator.
Depois de duas edições que contaram com chuva, Pompeu José congratulou-se pelo bom tempo desta semana, que faz prever uma enchente no recinto da feira semanal para participar num ritual pagão que purifica, pelo fogo, todos os males do ano que passou.