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Home » Notícias » Diário » Viseense cria conceito de “Aithropology” para aproximar inteligência artificial e antropologia

Viseense cria conceito de “Aithropology” para aproximar inteligência artificial e antropologia

Bernardo Mota Veiga - gestor, escritor e autor de livros sobre o tema - propõe a criação de uma nova disciplina dedicada à relação entre tecnologia e ser humano e que designa como a Antropologia da IA

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Poster featuring a young woman with bold white text: 'A prevenção começa em si. Prepare-se e proteja-se dos incêndios rurais.' Promotes rural fire safety with logos at the bottom.
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Smiling man in a dark blazer with a light shirt, arms crossed against a white background. Viseense cria conceito de “Aithropology” para aproximar inteligência artificial e antropologia

A inteligência artificial (IA) está a transformar o comportamento humano a um ritmo superior à capacidade da sociedade para compreender as suas implicações, defende Bernardo Mota Veiga, gestor, escritor e autor de livros sobre o tema, que propõe a criação de uma nova disciplina dedicada à relação entre tecnologia e ser humano e que designa como a Antropologia da IA. A paixão pelo tema levou-o a criar uma espécie de “bíblia protocolo” a que deu o nome de “AIthroplogy” e o romance (techno-thriller) “Frequência da Ressonância”.

Em entrevista ao Jornal do Centro, a propósito das obras que publicou e dos artigos de opinião que escreve sobre inteligência artificial, o viseense Bernardo Mota Veiga sustenta que a atual evolução da IA exige uma abordagem que integre áreas como a antropologia, a filosofia e a ética.

Defende uma nova área de estudo que analisa a inteligência artificial a partir da relação que estabelece com o ser humano, integrando uma perspetiva antropológica. 

“Da mesma maneira que antes havia biologia e havia química e chegou-se à conclusão que elas se cruzavam e que fazia sentido estudar como uma disciplina, defendo que tem de haver uma área nova, que aborde este tema da antropologia como um tema que esteja de alguma forma fundido com a IA”, esclarece.

Segundo o autor, a maioria dos atuais sistemas de IA foi desenvolvida por engenheiros, sem incorporar princípios antropológicos ou éticos desde a sua conceção.

“As grandes tecnológicas fizeram uma ferramenta por engenheiros. Faltaram os psicólogos, os filósofos, os antropólogos e outras áreas. A ética não pode ser acrescentada depois. Tem de fazer parte da estrutura base”, sustenta. “Não se pode pôr a ética depois, porque senão deixa de ser ética, passam a ser leis”, afirma. Como exemplo do risco de agentes sem enquadramento ético, recorda o caso da rede social Moltbook, criada exclusivamente para agentes de IA, que rapidamente “se tornou numa selvajaria”, com agentes a defender, por exemplo, a eliminação dos humanos.

O autor questiona como podem estes sistemas atuar em profissões reguladas sem conhecerem os respetivos códigos deontológicos, defendendo que essa formação deve ser incorporada na sua aprendizagem desde a origem.

“O agente pode escrever notícias ou apoiar decisões médicas, mas se nunca foi treinado com os princípios éticos dessas profissões, falta-lhe uma base essencial”, argumenta.

Questionado sobre a presença da IA no quotidiano, considera que a IA já está enraizada em setores como a saúde, na análise automática de imagens médicas, por exemplo, ou na energia ou na previsão de consumos, mas deixa o alerta para a sua capacidade para decidir em situações-limite, por não ter “insights” diretos sobre realidades como a infância ou a velhice.

Apesar dos alertas, Bernardo Mota Veiga considera que o problema não reside na resistência das pessoas à IA, mas precisamente na sua rápida aceitação.

“As pessoas utilizam-na diariamente e confiam cada vez mais nas respostas que recebem”, afirma, apontando como exemplo a utilização dos modelos de linguagem para procurar informação, pedir aconselhamento ou tomar decisões. Na sua opinião, essa dependência está a reduzir o espírito crítico dos utilizadores.

“Antes consultávamos várias fontes. Hoje aceitamos a primeira resposta gerada pela inteligência artificial e assumimos que está correta”, refere.

Além de defender que os sistemas de IA necessitam de uma estrutura antropológica, Bernardo Mota Veiga considera igualmente essencial preparar os cidadãos para uma utilização consciente, sobretudo os mais jovens.

“As crianças já recorrem à inteligência artificial para responder a questões que antes colocavam aos pais ou aos professores. Isso muda a forma como aprendem e como constroem pensamento crítico”, alerta.

Questionado se a IA é uma ferramenta ou está além desta simples classificação, Bernardo Mota Veiga apresenta a sua visão. “A inteligência não se consegue limitar”, afirma, comparando-a à impossibilidade de aprisionar o pensamento de uma pessoa presa. Ao contrário do Excel, por exemplo, a IA “vai adquirindo inteligência e vai ela própria criando as suas próprias linhas de código”, pelo que, reforça, “nunca pode ser uma ferramenta”. “A IA nasce de linhas de código, mas não vai morrer com linhas de código, vai adquirindo inteligência e vai ela própria criando as suas próprias linhas de código. Como tal, nunca pode ser uma ferramenta na medida em que o intuito com que foi criada pode não ser exatamente aquilo que ela vai acabar por ser”, sustenta. 

Gestor de profissão e engenheiro físico de formação, Bernardo Mota Veiga explica que o interesse pela inteligência artificial surgiu após uma pós-graduação em Bioética.

Enquanto que o manual “AIthropology” é dedicado aos fundamentos antropológicos da inteligência artificial, dirigido a investigadores e programadores, o romance “Frequência da Ressonância” é um techno-thriller que utiliza a ficção para refletir sobre o impacto da IA na sociedade.

A obra procura também levantar questões filosóficas sobre o futuro da relação entre seres humanos e inteligência artificial mas, segundo o autor, sendo um romance torna-se mais acessível ao “leitor comum. “Num romance existem personagens e nas personagens existe impacto”, disse, sublinhando que a ficção lhe permite transformar essas preocupações “numa dor física para o leitor, pelo que é mais acessível a compreensão de algumas das minhas preocupações com a IA”.

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