Museum display: orange racing suits on the left, a video of a helmeted driver in a car on the screen, and a yellow race car in the foreground.
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Athletes stand on a podium: first place in center with green pants and white shirt, holding a certificate and wearing gold medal, flanked by second and third place winners on red/blue outfits; backdrop reads WMAC DAEGU 2026 with flags and sponsor logos.
Modern single-story house exterior at dusk with large glass sliding doors showing warmly lit living and dining areas outside landscaped yard.
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People wearing over-ear headphones at an outdoor listening event, with a large headset prop in the foreground.
Group of pageant contestants in evening gowns/swimwear with sashes standing on a brightly lit stage, audience seated in foreground.
Six young dancers pose with medals and a large trophy in front of a dance competition backdrop, Portugal flag visible behind them.
Home » Notícias » Colunistas » Fragmentos de um Diário – 18 Maio 1983 (continuação)

Fragmentos de um Diário – 18 Maio 1983 (continuação)

12.11.22
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Sempre sonhei com ideais tais como bondade, simplicidade, alegria, respeito. Assim como a realização profissional, o amor, a poesia, o desporto. Quando a minha vivência diária se enquadra neste horizonte ideal, sinto-me bem. De contrário, invade-me a angústia, a tristeza, o desespero, a solidão e a revolta.
Vivo em função das cartas da Fátima e das que lhe escrevo. São os únicos momentos de plenitude, em que me esqueço do lugar onde estou, do vazio dos meus dias, da tagarelice quotidiana. Mergulhado na leitura ou na escrita, mas sobretudo na leitura das cartas do meu amor, abre-se uma fenda no chão da minha vida, por ela escorrego como se por um túnel até ao sagrado de um caramanchão ou de um quarto num fundo de hotel.
       
27 Maio 1983

Mas a vida não é fácil. Sem querer me desvio do caminho, por outros mais tentadores e efémeros. Saio com alguns conhecidos, vamos a Évora, entramos num bar, passamos por uma discoteca. Ela é que me convida, insiste, amua, como se sentisse alguns direitos sobre mim. E eu vou, e bebo para descontrair, entrar na onda, não fazer de casmurro. E ela aproveita-se, acho eu, ou então, sou eu que me desculpo assacando-lhe o ónus da desdita. Porque ela tem carro, do pai, leva-me a sós, depois pára o dito no meio do nada alentejano e tenho que fazer o que nem sempre me apetece, enquanto contemplo as estrelas da noite. Gosto de as olhar, serão as mesmas que o meu amor poderia ver se porventura estivesse acordada àquela hora. Entro em casa, com a alma derrotada. Isto escrevo eu, talvez, para me desculpar da minha vassalagem à sedução.
       
12 Junho 1983

Mas a jovem do castelo por vezes revela dimensões de alma que me subvertem a rigidez dos esquemas mentais de avaliação dos outros. Dela, por exemplo, se me agrada o dom da sua alegria, por outro lado, parece evidenciar um modo ligeiro, quase frívolo de ser, que me perturba.

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