No coração verde do concelho de Viseu, Côta é uma aldeia onde…
Nasceu, em Cinfães, a Quinta da Maria, um projeto turístico com alma…
No coração do Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros, há…
Um título efectivamente longo, mas revestido de uma verdade, agora indesmentível, verdade essa denunciada há anos pelos defensores do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Decénios de políticas de direita e brechas constitucionais abriram caminhos a um desígnio antigo do PS, PSD e CDS, e mais recentemente dos seus rebrandings IL e Chega, para a mercantilização da saúde e a destruição parcial ou total das estruturas públicas.
Uma opção de classe, que muito têm vindo a prejudicar as populações, com particular incidência aos territórios mais ruralizados. As políticas destes partidos, sequestradas pelos interesses económicos dos grupos e monopólios privados na área da saúde, secundarizou a saúde como um direito constitucional, preferindo a ideia consócia de lucro e saúde e promovendo o recorrente e contínuo desmantelamento do SNS em favor da iniciativa privada.
A saúde não é um negócio, mas a inorgânica e inumana condição do capitalismo não permite a estes partidos o senso de empatia, justiça e igualdade, e ora pela voluntária inactividade governativa, ora pela cúmplice falta de propostas ou inacção no acompanhar de propostas que dêem as respostas necessárias por parte da direita, o caminho que a saúde pública percorre em Portugal parece ter um destino traçado.
Anos de desinvestimento no SNS, de congelamento de salários e carreiras, de recusa de reforço de profissionais da área da saúde, o envelhecimento das estruturas públicas de saúde, o seu compulsivo encerramento de forma total ou a eliminação de valências, especialidades e camas, o desvio em sede orçamental dos dinheiros da saúde pública para o financiamento do privado neste sector, pautaram o estado actual do SNS, onde se torna mais fácil culpabilizar os seus profissionais, afastando-os ainda mais desta tarefa, do que as opções governativas que nos trouxeram até aqui.
Uma conquista de Abril não se destrói num só dia, sobretudo se tiver o seu povo ao lado dessa conquista, mas o cansaço perante interminável ataque não facilita que os alicerces do SNS continuem a ser o garante da sua sobrevivência.
O que sentem hoje os portugueses de uma forma transversal, sentiu antes o dito interior do país, alvo primeiro destas políticas, que sabiam os seus promotores serem impossíveis de aplicar de uma e só vez, pela imagem positiva que o SNS tem e teve no seio das populações. Questões como os encerramentos de urgências, maternidades, especialidades clínicas, falta de médicos, enfermeiros, técnicos de saúde e auxiliares de saúde, são problemas antigos para as populações do interior do país e do distrito de Viseu, em particular, que apresenta graves deficiências e dificuldades extremadas no acesso à saúde, desde os seus cuidados primários ao especializados.
Num país onde se popularizou a concepção de “colaborador” à troca do termo trabalhador, para se promover os ataques aos direitos laborais que muito fragilizam os trabalhadores e, em particular, os mais novos, substitui-se agora a palavra utente e paciente, por “utilizador” e “cliente”, dando cumprimento ao objectivo de a saúde passar a ser um negócio, onde o lucro será salvo e o prejuízo será contado em mortos.
É hora de uma mobilização em torno da defesa do SNS, e o PCP está na primeira linha.
por
Joaquim Alexandre Rodrigues
por
Ana Isabel Duarte
por
Vítor Santos
por
Henrique Rodrigues Santiago