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Andebol em cadeira de rodas: Com mais apoios, sonhos podem ganhar novas asas

Dez jogadores treinam em Viseu duas vezes por semana por um sonho: representar a cidade e a região em provas nacionais de andebol em cadeira de rodas. Faltam apoios, mas garantem que a vontade está lá e mantém-se intacta. Este fim de semana, Viseu acolhe o Troféu VIDA, em andebol adaptado para lembrar que o desporto pode ser uma nova oportunidade de voltar a ganhar sentido para a vida

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 Andebol em cadeira de rodas: Com mais apoios, sonhos podem ganhar novas asas

Pelo terceiro ano consecutivo, o torneio que já se tornou referência no andebol português abre as portas ao desporto adaptado. O Torneio Internacional de Andebol de Viseu/Feira de São Mateus volta a abraçar o Troféu Vida, pensado para atletas em cadeira de rodas. E em 2024, ano em que Viseu é cidade europeia do desporto, há uma data que a equipa de andebol em cadeira de rodas da Associação Invictus não esquecerá. A 1 de maio último, a equipa estreou-se em competições oficiais. Foi no Porto e a Invictus Viseu defrontou Os Coxos – APD Figueira da Foz e Rovisco Pais, numa prova organizada pela Associação Portuguesa de Deficientes do Porto. Mas a história desta equipa começou em 2021. Foi a 15 de setembro que no Pavilhão Desportivo do Estabelecimento Prisional de Viseu, no Campo, decorreu o primeiro treino. Na altura, a equipa tinha dez jogadores, com idades entre os 22 e os 61 anos.

Hoje, o número mantém-se. Um dos jogadores é Júlio Ferreira. E tudo começou num telefonema de Nicole Monteiro, uma das treinadoras da equipa. “Ligou-me em 2021 e disse-me que tinha sido o presidente da Junta do Campo a dar-lhe o meu contacto”, assinala Júlio.  Daí em diante, a ligação entre o jogador e a equipa não mais parou. Numa primeira fase, Júlio, de 61 anos, ainda se mostrou reticente. “Fui só para não dizer que não, mas acabaram por me entusiasmar”, revela. “Nunca tinha pensado que o andebol faria parte da minha vida. Hoje sinto-me honrado por integrar a equipa”, confessa. A vida pregou-lhe uma partida aos 18 anos. Um acidente deixou-o paraplégico. “Ia com um primo para o trabalho”, recorda. “Foram segundos que mudaram anos”, afirma. “Foi há 42 anos, entre Vila Nova do Campo e Pascoal. Na altura não havia estas equipas. Se houvesse o que há hoje, era mais fácil. Era tudo mais difícil. A forma como isto se enfrenta depende de pessoa para pessoa. Quando há uma situação destas, há quem ultrapasse melhor, outros nem tanto. Eu fiquei no meio termo”, assume.

Ao início, o jogador confessa que sentiu estranheza em ter de trocar da cadeira de rodas que é o suporte do dia a dia, para outra, a de jogo. “Foi confuso porque as cadeiras que usamos para jogar têm as rodas em diagonal, mas com o tempo tudo se faz. É uma questão de adaptação”, frisa. “Comparando com a nossa situação, trocar de cadeira não é nada”, sustenta. Há dois jogadores amputados, uma atleta com Espinha bífida, outra com Artrogripose, quatro paraplégicos, um jogador que sofreu um traumatismo cranioencefálico grave e um tetraplégico.

“Só nos pondo na pele dos outros é que nos apercebemos das dificuldades”, diz Júlio Ferreira

A propósito de dificuldades e da relativização do que acontece, de um momento para o outro, Júlio Ferreira recorda um encontro de diferentes modalidades de desporto adaptado. “Joguei uma modalidade para cegos. Ao vendarem-me os olhos, entendi que há outras dificuldades para além da nossa. Só nos pondo na pele dos outros é que nos apercebemos disso”, acrescenta. Para o jogador da Invictus, “há que continuar”. “Se as pessoas conseguirem caminhar, não têm de reclamar. As pessoas ditas normais reclamam que lhes falta isto ou aquilo. O fundamental é dar graças sempre que acordamos”, reitera.  

Os treinos decorrem duas vezes por semana. As terças e as quintas-feiras são passadas com treinos de uma hora e meia e de uma hora, no pavilhão do Instituto Politécnico de Viseu. A equipa técnica é uma dupla no feminino. “Sermos treinados por duas mulheres é muito especial. São pessoas novas, participativas e ativas. Estão sempre prontas para incentivar. A Marta Matos é a nossa treinadora de campo, a Nicole Monteiro é preparadora física. E quando alguém não pode ir ao treino, também se sentam na cadeira e treinam connosco. São cinco estrelas”, assinala. Em agosto os treinos são interrompidos. “Estamos de férias. A época começa no início de setembro e vai até julho do próximo ano. Já não treinamos há três semanas e há saudades já. É o tal bichinho”, frisa.

Do plantel da Invictus há jogadores que chegam de vários lugares. “Eu sou de Vila Nova do Campo, há quem venha de Travanca, Oliveira de Cima, Mangualde, Viseu e temos um jogador brasileiro”, descreve. “Foi um reforço e tanto! Já foi campeão no Brasil e dá gosto vê-lo jogar. Costumamos dizer que nos remates não dá hipóteses. É o nosso Ronaldo”, resume.

Com mais apoios, sonhos podem ganhar novas asas, confia atleta

 Até janeiro deste ano, Júlio Ferreira era o atleta mais velho da equipa. “Hoje quem tem mais anos é o Jacinto. Tem 72 anos. É quem me dá boleia para os treinos”, assinala. “O bichinho começa a entrar, mesmo que ao início tivesse achado que estou velho para estas coisas. As técnicas contrariaram essas minhas ideias”, lembra.

Sobre objetivos desportivos, Júlio Ferreira acredita que com mais apoios, os sonhos poderiam ganhar novas asas. “É preciso carrinhas e nós temos pouco ou nada. As cadeiras foram-nos dadas: são em segunda mão e são para desenrascar. E já muito fazemos nós e o clube. Volta e meia as cadeiras precisam de mais um parafuso, substituir uma roda… Num campeonato que se jogue em Leiria ou Aveiro, como é que iremos? Já para ir para o Porto foi um 31”, lamenta, apelando a mais apoios. Foi precisamente na Cidade Invicta, que a Invictus fez o primeiro jogo oficial de sempre. Foi para a Taça de Portugal de andebol em cadeira de rodas.

A equipa recebeu o convite e participou pela primeira vez em competições nacionais. “Tive a honra de ser escolhido para ser capitão de equipa. Segundos antes de começar o jogo, a Marta escolheu-me. Acho que sou bom líder, há sempre conflitos, mas quem pode falar melhor sobre isso é a equipa técnica”, diz, entre risos. Como jogador, Júlio gosta mais de jogar no ataque e atua como pivô, distribuindo jogo. 

Marta Matos forma com Nicole Monteiro a dupla que treina os dez jogadores da Invictus. A técnica lembra que a ideia de criar uma equipa de andebol de cadeira de rodas em Viseu foi lançada por Joaquim Escada, atual vice-presidente da Federação de Andebol de Portugal e coordenador nacional do projeto andebol4 all. O projeto tem na base a ideia de que o andebol está aberto a todos e tem proporcionado a várias pessoas – em diferentes condições – a prática da modalidade.

“A nossa associação dedica-se à inclusão através do desporto. Somos a primeira e única equipa do distrito de Viseu que oferece esta modalidade à população com deficiência motora”, recorda Marta Matos. A técnica assinala que antes de formar a equipa houve que reunir várias condições para que nada falhasse. “A Associação de Andebol de Viseu, por exemplo, emprestou-nos as cadeiras de rodas para competir. Também contactámos a Segurança Social e também o serviço de Medicina Física e Reabilitação do Hospital de Viseu para tentarmos identificar possíveis utentes que pudessem fazer parte da nossa equipa”, detalha.

“Jogadores demonstram todos os dias vontade de se superar”, assegura treinadora

Depois de representações e jogos “a feijões”, a estreia oficial aconteceu já este ano, no Porto, em partidas da Taça. Para dar ainda mais força ao sonho, Marta Matos sublinha que os apoios têm de chegar. “Nesta fase estamos a trabalhar para garantir as condições para competir no campeonato nacional. Pelas nossas contas, vão ser precisos quatro mil euros para cobrir as várias deslocações. São necessárias duas carrinhas: uma para transportar as cadeiras de rodas de uso regular e de competição e outra para levar os atletas e equipa técnica”, clarifica.

A técnica garante que “treinar estes atletas, cujas vidas são marcadas por histórias de superação tem sido uma experiência enriquecedora”. “Dos nossos dez atletas, sete ficaram com limitações físicas depois de acidentes. Ensinam-nos diariamente que as limitações físicas não definem as pessoas. O que define os seres humanos é a capacidade de se adaptarem e superarem os desafios que enfrentam. Temos aprendido mutuamente. A cada treino recordam-nos dos valores da resiliência, determinação e coragem. São uma fonte constante de inspiração e motivação”, assegura, frisando que é um “privilégio treinar esta equipa e partilhar este caminho com estes atletas”. Para além do andebol em cadeira de rodas, a Invictus tem ainda equipas de natação adaptada, karaté inclusivo e polybat.

Este fim de semana, o Pavilhão Cidade de Viseu recebe o 26.º Torneio Internacional de Viseu – Feira de São Mateus ’24. Este ano, a competição traz a Viseu quatro equipas portuguesas, uma formação espanhola e outra alemã. Ao campeão nacional, Sporting, juntam-se FCPorto, Benfica e Marítimo, os espanhóis Ademar León e os alemães do Melsungen. Quanto ao Troféu Vida, em andebol jogado em cadeira de rodas, Portugal defrontará Espanha a abrir a prova, e França a fechar. Franceses e espanhóis defrontam-se também.

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