No coração verde do concelho de Viseu, Côta é uma aldeia onde…
Nasceu, em Cinfães, a Quinta da Maria, um projeto turístico com alma…
No coração do Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros, há…
O Munda – Movimento em Defesa do Rio Mondego considera que a construção da barragem de Girabolhos “desvia a atenção para problemas de fundo e ineficiências diversas”, como a gestão da bacia hidrológica do Mondego e respetivos afluentes.
O Munda “tem denunciado esta simplificação de um problema tão complexo como este, que desvia a atenção para os problemas de fundo e das ineficiências diversas, deixando de fora as soluções mais estruturantes e globais, como a gestão da bacia hidrológica do Mondego e respetivos afluentes no seu todo”, refere o movimento em comunicado enviado à agência Lusa.
A barragem de Girabolhos, no concelho de Seia, vai ser construída no Alto Mondego, numa área que abrange os municípios de Fornos de Algodres, Gouveia e Seia, no distrito da Guarda, e Mangualde e Nelas, no distrito de Viseu.
Com esta tomada de posição, o movimento esclarece que quer contribuir para “um diagnóstico ambiental, socioeconómico e cultural da bacia hidrológica do Mondego, que conduza à revitalização destes setores”.
Defende, também, “o diálogo entre a comunidade científica, técnicos, autarcas, populações e organizações ambientalistas, de desenvolvimento local e de agricultores”.
Para a associação cívica e ambiental, é preciso corrigir “a atual gestão excessivamente centralizada” da bacia hidrológica do Mondego, que “ignora a manutenção e valorização das infraestruturas hidráulicas degradadas, os assoreamentos de muitos troços, centenas de cursos de água carentes de limpeza e ordenamento para fins úteis e erradamente emanilhados em zonas urbanas impermeabilizadas”.
“O projeto inicial da barragem de Girabolhos não foi concebido para controlo de cheias, mas para produção de energia, regularização de caudais e outros usos associados à gestão de recursos hídricos”, recorda.
Já a sua capacidade de armazenamento de água “levanta dúvidas quanto à eficácia em cenários extremos, tendo em conta episódios recentes de precipitação que geraram volumes de água superiores à capacidade total prevista para o sistema”.
“Ao mesmo tempo, a área de influência [da barragem] abrange apenas uma fração da bacia hidrológica do Mondego inferior a 5%, o que limita o seu impacto global”, afirma.
Para o Movimento em Defesa do Rio Mondego, há ainda impactos ambientais e hidromorfológicos das barragens a considerar, “para além das alterações nos microclimas provocadas pelas albufeiras, a nível de humidade, o que poderá prejudicar as zonas vinhateiras e outras culturas”.
“Um investimento da magnitude de uma barragem terá de ser bem sustentado cientificamente, sopesando todos os impactos negativos, que lançam sérias dúvidas de que servirá todos os territórios da bacia hidrográfica e não apenas espúrios interesses particulares”.
A concluir, o Munda alerta que as alterações climáticas “aproximam-nos perigosamente do ponto de não retorno do colapso dos ecossistemas e da extinção a médio prazo da nossa espécie”.
Por isso, “a única guerra certa que temos que travar, em Portugal e na Europa, é a guerra contra o colapso climático”, realça.
“Os governos têm de investir mais em soluções estruturantes que não se compadecem com uma única panaceia parcial, por mais que sirva para iludir autarcas com um falso desenvolvimento, “encher o olho” dos eleitores e a bolsa dos construtores”.