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O presidente da Federação Nacional das Associações Juvenis (FNAJ) defendeu hoje a necessidade de os jovens deixarem de ser meros destinatários e integrarem o debate das políticas públicas e, com isso, fomentarem e fixarem-se nos territórios.
“Sabemos que os jovens têm que deixar de ser meros destinatários destas políticas, mas serem reconhecidos como verdadeiros ativos do desenvolvimento local, porque continuamos a ouvir, muitas vezes, discursos marcados de afastamento, de polarização desta nova juventude”, defendeu Fernando Vieira.
Este responsável falava na abertura do VI Encontro Nacional da Rede de Municípios Amigos da Juventude é organizado pela FNAJ e a Agência Nacional Erasmus+ Juventude/Desporto e Corpo Europeu de Solidariedade, em parceria com a Câmara Municipal de Castro Daire, distrito de Viseu.
“Continuamos a achar, e acreditamos, que o associativismo juvenil pode fazer parte disto, a juntar as pessoas e a fazer crescer pontes e, ao fazer crescer pontes, ensinamos aos nossos jovens, geração presente e futura do nosso país, o que é a democracia e isso é tão importante e urgente nos dias de hoje”, acrescentou.
Fernando Vieira realçou ainda que “investir na juventude não é uma despesa, é uma visão estratégica de futuro para os territórios”, e reforçou que a participação “não pode ser só em consultas formais, deve ser afirmado com relações permanentes”.
O encontro juntou no Centro Municipal de Cultura de Castro Daire cerca de 200 participantes, técnicos e outros responsáveis, oriundos de 90 municípios, para partilharem e debaterem boas práticas na área das políticas locais de juventude.
“Um território só é verdadeiramente estratégico quando os jovens querem permanecer nele, quando fazem parte das soluções e sonham com ele”, vincou Fernando Vieira.
Para este responsável, quando se fala de jovens, fala-se, “muita vez, de números, e fica esquecido o que é importante e que não está nos relatórios, que é o impacto que a juventude e o associativismo tem” nos territórios.
“A capacidade de transformar as comunidades. São verdadeiros agentes de mudança e é isto que caracteriza tanta vez, e diariamente, o associativismo em Portugal e, quase sempre, fora dos holofotes, constroem diariamente respostas onde os municípios ou as freguesias não conseguem chegar”, indicou.
E, “sem manchetes, nem grandes campanhas, criam uma presença e uma relação humana, com confiança e conhecem os jovens do território, das escolas, das freguesias e municípios”.
Fernando Vieira indicou que “talvez seja este o maior valor que a juventude portuguesa tem e que é uma referência internacional, esta capacidade de transformar a proximidade, a participação, num sentimento de pertença”.
“Sabemos que um jovem que, para além de ser ouvido, é envolvido e que faz parte da resolução dos problemas do território, sente que há futuro neste território e quer continuar a transformar o território onde está inserido”, sublinhou.
Uma participação destacada pelo presidente da Câmara Municipal de Castro Daire, Paulo Almeida, que garantiu que “uma das linhas estratégicas” da autarquia é “envolver sempre os jovens nas atividades, desde a organização a todo o processo”.
Um envolvimento que a secretária de Estado Adjunta e da Juventude e da Igualdade, Carla Rodrigues, disse ser um “compromisso do Governo”.
A título de exemplo, indicou a “revisão estrutural da lei do associativismo”, que contou com os contributos da FNAJ.
“A juventude constitui uma prioridade estratégica para este Governo. Temos plena consciência que investir na juventude é investir no país, é garantir que temos futuro, mas esse investimento exige estabilidade, continuidade e confiança nas organizações e estruturas que diariamente trabalham com e para os jovens”, afirmou Carla Rodrigues.