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O ELOS – Festival Literário de Nelas arranca na próxima sexta-feira (17 de abril) com uma homenagem a António Lobo Antunes, propondo uma reflexão sobre a forma como a literatura pode inscrever-se no território e na memória coletiva. Na altura, será anunciado o futuro Centro de Investigação António Lobo Antunes, a instalar na Biblioteca Municipal, que pretende reunir e tornar acessível a obra do escritor, bem como estudos críticos e materiais associados, contando com a colaboração de Cristina Lobo Antunes.
A cerimónia, marcada para as 18h00, inicia-se com a inauguração da Praceta António Lobo Antunes, junto à Biblioteca Municipal, espaço que procura fixar a ligação do escritor a Nelas, onde viveu parte da infância e juventude.
A homenagem, segundo a autarquia de Nelas, constrói-se também “como uma intervenção no espaço público”. A plantação de castanheiros e carvalhos, com a participação de escuteiros locais, introduz uma dimensão ecológica e simbólica, cruzando memória literária com práticas de sustentabilidade, no âmbito de uma parceria com a Quercus e a Green Cork.
A leitura de excertos da obra de Lobo Antunes por alunos e ex-alunos, a instalação de bancos literários com citações gravadas e a criação de um mural de arte urbana no edifício da biblioteca marcam também o dia.
Com o tema “Escritores e Autores do Concelho”, o festival prolonga-se até 24 de abril, propondo um programa que articula encontros, oficinas, leituras, teatro e exposições, num esforço de aproximação entre criação literária, comunidade e território.
O escritor António Lobo Antunes, um dos maiores nomes da literatura portuguesa desde a segunda metade do século XX, morreu a 5 de março. O seu primeiro livro, “Memória de Elefante”, surgiu em 1979, logo seguido de “Os Cus de Judas”, no mesmo ano, sucedendo-se “Conhecimento do Inferno”, em 1980, e “Explicação dos Pássaros”, em 1981, obras marcadas pela experiência da guerra e pelo exercício da Psiquiatria, que depressa o tornaram um dos autores mais lidos em Portugal.
A República Portuguesa condecorou-o com a grã-cruz da Ordem de Sant’Iago da Espada, em 2004 e, em 2019, com a Ordem da Liberdade. França deu-lhe o grau de “Commandeur” da Ordem das Artes e das Letras, em 2008. Foi Prémio Camões em 2007.
O Festival Literário ELOS é uma organização da Câmara Municipal, da Rede de Bibliotecas de Nelas, dos agrupamentos escolares do concelho e da Fundação Lapa do Lobo.
Segundo a autarquia, os oito dias de festival perspetivam, entre outras, “um extenso rol de atividades, desde encontros com autores, animação, música, teatro, feira do livro, passeios, exposições, atividades de leitura em voz alta”.
O festival pretende fazer “um reconhecimento pelos seus contributos no enriquecimento cultural concelhio, e cujas obras se estendem por diferentes géneros e públicos, desde a poesia à narrativa, da literatura infantojuvenil à produção técnico-científica”.
“Oito dias inteiramente dedicados ao gosto pelos livros, sempre com o objetivo de sensibilizar e estimular para a leitura graças a um programa transversal a todos”, destaca o executivo municipal.