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Ouvimos tantas vezes que o futebol é bem mais do que um golo marcado ou falhado. Este domingo, na Beselga, o desporto-rei vai ser lembrado como a defesa da vida. Num contacto normal que acontece no futebol, Jorge Costa, guarda-redes do Vale Madeiros, acabou por ficar inconsciente. Ficou ali, sem reação, deitado no relvado.
E foi nesse momento que entrou em ação a fisioterapeuta d’Os Ceireiros. “Foi um canto e um jogador do Ceireiros, a disputar a bola, acabou por dar uma cotovelada nas costas do guarda-redes da outra equipa. A bola continuou a andar, mas eu dei logo conta de que o guarda-redes não tinha ficado bem. Estava-lhe a custar respirar e caiu no chão. Ficou inconsciente, os colegas colocaram-no na posição lateral de segurança”, começa por contar Nádia Lopes, a protagonista de uma história que fica para lembrar.
Depois, conta a jovem que está a terminar o curso de fisioterapia, foi tudo muito rápido. “Assim que o árbitro pediu a entrada da equipa médica, fi-lo. Coloquei gelo na parte da cabeça e superior do pescoço do jogador. Isso estimula o organismo para o corpo reagir. A partir do momento que apliquei gelo, ele reagiu e acabou por tudo ficar bem”, descreve.
Parece simples, mas nestes momentos é preciso, tal como o gelo aplicado em Jorge Costa, alguém ter sangue frio e atuar. “Ele disse mesmo que foi ao outro mundo e voltou e que não estava à espera de voltar. Foi muito rápido”, confidencia Nádia.
Ao longo destes últimos tempos, a fisioterapeuta d’Os Ceireiros já perspetivava que um dia isto pudesse acontecer. “Pensei sempre que ao ver aquilo não iria conseguir reagir. Mas correu bem. Consegui manter-me calma, fiz o que tinha a fazer e correu tudo bem”. Depois da ação, literalmente salvadora, de Nádia Lopes, o guarda-redes ainda aguentou uns minutos em campo, mas teve, depois, de ser substituído. “Verifiquei se poderia ter uma costela partida, não consegui perceber se de facto tinha. Só com exames”, adianta.
Um episódio que, defende esta jovem profissional de saúde, mostra a importância de haver em todos os campos, pessoas especializadas em agir em situações limite. “É uma questão de segundos. Temos de reagir logo. É importante ter alguém com qualificação e experiência. Se não estivéssemos lá, a história poderia ter tido outro final”, conclui Nádia Lopes.
A verdade é que Jorge Costa está cá para contar a história. Sem querer gravar declarações, o guarda-redes do Vale Madeiros assegura que estará sempre grato pela acção de Nádia Lopes. Diz o guarda-redes que está a recuperar e diz não ter palavras para descrever tudo o que foi feito por ele.
O jogo entre Os Ceireiros e o Vale Madeiros a contar para a Taça da 1ª divisão da Associação de Futebol de Viseu acabou com a vitória da equipa da Beselga por duas bolas a zero, mas o resultado é mesmo, neste caso, o que menos importa. Porque, no fundo, venceu a defesa da vida.