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Home » Notícias » Colunistas » Fragmentos de um diário: 2 de Maio de 1986

Fragmentos de um diário: 2 de Maio de 1986

 Nunca é por Amor
31.03.24
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2 de Maio de 1986

Continuo a preparar-me para a vida nova que, em setembro, se inicia. Reduzi o tabaco, corro todas as manhãs, escrevo diariamente pedaços da carta que envio a cada sexta-feira para a Fátima. Preencho páginas com sentimentos, ideias e projetos. A maior parte das vezes, sou forçado a emendar tudo, porque escrevo ao correr da caneta num fluxo descomedido. Mas também me acontece remeter todas as páginas para a Fátima, incapaz de rejeitar qualquer palavra ou frase. São sempre de bom humor as respostas a estas incontinências verbais. Dá-me até a impressão que ela as aprecia, talvez por me revelar mais, por ser mais autêntico, por mostrar o rapazinho que ainda sou apesar da idade. Ela é a primeira a referir esse aspeto. E aproveita, às vezes, para regressar ao passado, às memórias do nosso primeiro encontro em Lisboa, está a fazer doze anos. Recorda o modo tímido como me aproximei do balcão, à espera de um ensejo de lhe falar. E de como ela adiou esse momento, de propósito, para me embaraçar. E eu sem saber que fazer, como estar, a fingir que observava os perfumes, mas sem os olhar, sempre à espera. Por fim, ela veio e perguntou-me se já me decidira pelo perfume. E eu, quase a corar outra vez, tal o magnetismo da sua presença, a dizer que não, que não era de perfumes o motivo de ali estar, mas para pedir perdão por ter demorado a corresponder ao seu cumprimento de ontem, e que, ao fazê-lo, fora tarde demais. Ela sorrira, não do meu embaraço, mas porque se sentira feliz, disse-me uns dias depois. Explicou que, desde o primeiro dia que apareci no serviço da minha tia, simpatizara comigo, gostara do meu jeito meio introvertido de a olhar, sem convencimentos, à distância. Quando a minha tia lhe sugeriu que metesse conversa com o sobrinho, chegado há pouco de África, e ainda mal adaptado, recebera a sugestão com interesse, mas não com isenção emocional.
Outras vezes, recorda a pensão indiana e o cheiro a caril e outras especiarias que a certas horas nos penetrava no quarto, e que nós achávamos que condimentava mais fortemente o exercício do nosso amor. Ou os passeios pelos jardins de Lisboa quando já não usufruíamos da liberdade da casa dos meus tios e tínhamos de circular pela cidade o ardor que nos consumia.
Com frequência aludia ao nosso percurso poético-filosófico, desde o sensacionismo de Alberto Caeiro, o romantismo de Novalis, o idealismo de Hölderlin, para de novo descermos à terra com o Alberto Caeiro até nos reconhecermos na poesia de Sophia.
Um rio profundo, raro e sublime temos navegado desde que nos conhecemos!

 Nunca é por Amor

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