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Duas aldeias de Tondela foram evacuadas, uma durante a noite, outra está a ser agora, disse à Lusa o comandante dos Bombeiros de Vale de Besteiros, pois o incêndio que deflagrou em Vouzela “está descontrolado” na encosta da serra do Caramulo.
“Estamos a defender as aldeias com os meios que estão lá alocados, mas os meios são poucos, há aldeias sem meios”, afirmou o comandante Miguel Santos, que tem um hangar da corporação em São João do Monte, “uma das freguesias mais expostas” à frente do fogo.
À agência Lusa, o responsável disse, pelas 11:45, que “durante a noite foi evacuada a aldeia de Matadagas e agora está a ser evacuada a aldeia de Mansores”, ambas na freguesia de São João do Monte, no concelho de Tondela, distrito de Viseu.
As pessoas estão a ser retiradas para a sede da freguesia, São João do Monte, que fica numa “envolvência, como se pode ver, de verde, a única diferença é a espécie das árvores, carvalho, eucalipto, pinheiro, é tudo verde”.
“Nesta encosta está tudo em perigo, porque este flanco apanha a vertente norte da serra do Caramulo e não está controlado. Estamos a falar de cerca de 15 quilómetros de frente para oito veículos de combate”, salientou.
Miguel Santos disse à agência Lusa que “os reforços foram pedidos” e, na ocasião, sobrevoava “um helicóptero, mas não de combate, mas sim de coordenação” e, portanto, agora, “a esperança é chegarem [meios] de combate”.
A presidente da Câmara Municipal de Tondela, Carla Antunes Borges, já tinha dito à agência Lusa que da aldeia de Matadagas foram retiradas “três pessoas idosas e uma criança” e “dois cães”.
O incêndio teve início às 03:04 de quinta-feira em Tourelhe, freguesia de Cambra, Vouzela (distrito de Viseu). Pelas 12:15, a página da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) indicava que estavam 960 operacionais no terreno, apoiados por 307 veículos e nove meios aéreos.
Este incêndio passou também para o concelho de Águeda. O presidente da Câmara disse hoje que o incêndio de Vouzela que passou durante a madrugada para o concelho de Águeda, no distrito de Aveiro, atingiu apenas anexos e casas devolutas, adiantando que não há pessoas desalojadas.
“As informações que tenho até agora são de anexos e casas devolutas e até algumas em ruínas. Mas temos de fazer o balanço. Isto passou próximo de dezenas de aldeias e temos que avaliar com mais calma o que aconteceu”, disse Jorge Almeida à Lusa, adiantando, às 09:00, que não havia pessoas desalojadas.
O autarca (PSD/MPT) aguardava a entrada em ação dos meios aéreos para ajudar a combater este incêndio, que diz ser “atípico, com uma brutalidade em termos de progressão”.
“As projeções são diabólicas. Com este vento todo a empurrá-lo criou aqui um corredor por aqui abaixo desde Macieira de Alcoba até à cidade que foi uma coisa fantástica. Eram 10 da noite [22:00 de quinta-feira] e estava tudo tranquilo em Águeda, apesar de nos apercebermos da aproximação do incêndio, e às 04:30 ele já estava na cidade”, disse.
Apesar de o incêndio ter entrado no concelho durante a madrugada, o presidente da Câmara disse que as pessoas estavam todas em alerta.
Jorge Almeida diz ter conhecimento de uma pessoa ferida com queimaduras, adiantando não saber em que condições é que ela se queimou: “Aparentemente tentou ele próprio fazer qualquer tipo de combate ao incêndio e as coisas não correram bem. Foi evacuado com algumas queimaduras”, explicou.
Em declarações à Lusa, o comandante António Ribeiro, do Comando Sub-regional da Região de Aveiro, referiu que o incêndio de Vouzela (distrito de Viseu) foi parar ao centro da cidade de Águeda durante a noite, mas neste momento a situação está pacifica naquela área.
“Está muito fumo. Isto parece que é nevoeiro cerrado, mas com vida normal. As estradas estão abertas e está tudo a circular”, disse o comandante.
António Ribeiro referiu que a maior preocupação neste momento é toda a linha de fogo que vem pela parte sul do incêndio desde Cambra (Vouzela) até Águeda que apanha muitas povoações pelo meio, adiantando que para já não foi necessário evacuar casas.
“Houve a defesa das povoações por onde o fogo passou, mas não chegou a haver evacuações”, adiantou o responsável.
A Câmara de Águeda já ativou o Plano Municipal de Emergência de Proteção Civil.
Este incêndio já obrigou ao encerramento da Linha do Vouga entre as estações de Águeda e Sernada do Vouga.
Segundo informação da Infraestruturas de Portugal (IP), encontra-se suspensa a circulação ferroviária entre Águeda e Sernada do Vouga devido a incêndio junto à via.