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O presidente da Câmara de Lamego, Francisco Lopes, mostrou-se hoje confiante na inscrição do Entrudo de Lazarim no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, atendendo a todas as tradições que lhe estão associadas.
Hoje, foi publicado em Diário da República o anúncio do processo de consulta pública sobre o projeto de decisão de inscrição do Entrudo de Lazarim no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, que decorrerá durante 30 dias.
“Este processo é sobre a preservação da tradição do Entrudo de Lazarim, ou seja, do conjunto das suas tradições, como os caretos com os seus trajes e todos os eventos que se desenrolam neste período”, explicou Francisco Lopes.
Do programa habitual constam tradições como o desfile etnográfico no domingo, a leitura pública dos testamentos e a queima da comadre e do compadre na terça-feira. Para encerrar os festejos, há caldo de farinha e feijoada grátis para todos, oferecidos pela população.
Durante os vários dias do Carnaval, as pequenas ruas da vila são invadidas por caretos, máscaras tradicionais esculpidas pelos artesãos locais em madeira de amieiro, que ganha formas diabólicas, carrancudas, orelhas bicudas, barbas, bigodes ou cornos.
Atendendo à riqueza de elementos do Entrudo de Lazarim, este processo “deu, obviamente, mais trabalho do que se fosse apenas a classificação de um objeto ou de uma tradição mais específica e delimitada”, justificou o autarca.
A abertura do processo aconteceu em agosto de 2022 e a submissão do pedido foi feita um ano depois mas, segundo Francisco Lopes, antes já tinha sido feito “muito trabalho de caracterização e de compreensão do fenómeno e de preparação dos elementos para a classificação”.
“Neste momento está em marcha e em fase final”, frisou o autarca, acrescentando que, depois de concretizada a inscrição no inventário nacional, o próximo passo será a candidatura a património mundial da UNESCO.
Na caracterização do processo que está em consulta pública pode ler-se que “toda a preparação para o grande evento começa nos cinco domingos que antecedem o Domingo Gordo”.
“Nas memórias dos mais antigos, rapazes e raparigas observavam os defeitos dos sexos opostos, para os mesmos serem expostos nos testamentos que são lidos durante o dia de Carnaval. Tudo elaborado em segredo. Os rapazes não sabiam quais as raparigas que escreviam os testamentos, assim como o contrário também acontecia”, refere, acrescentando que “todo o secretismo era necessário, para que depois a sua apresentação no dia do Entrudo fosse surpresa total”.
Enquanto escrevem os testamentos, “rapazes e raparigas angariam dinheiro para a elaboração dos bonecos que acompanham os testamenteiros no dia de Carnaval”. O objetivo dos testamentos da comadre e do compadre é “expor publicamente os defeitos do sexo oposto e também fazer a partilha das diferentes partes do burro (atribuídas em testamento, a cada um)”.
As máscaras são o ponto forte do Entrudo de Lazarim. Inicialmente eram feitas de rendas e depois passaram a ser esculpidas em madeira de amieiro, um trabalho demorado, que tem de ser iniciado muitos meses antes do Carnaval.
“No início, havia dois ou três homens que as faziam, embora o número tenha aumentado significativamente nos tempos que correm”, refere o documento, explicando que também elas estão envolvas em secretismo, para que ninguém saiba a máscara que a pessoa vai usar e onde a vai buscar.
Além das máscaras, há os trajes dos caretos, “elaboradas por familiares, normalmente as senhoras, utilizando produtos que a terra lhes dá”.
O desfile etnográfico dos ranchos no Domingo Gordo, o típico caldo de farinha e a feijoada (em que se destacam os enchidos) são outros atrativos do tradicional Entrudo de Lazarim.
“Na zona da vila as mulheres fazem o caldo de farinha e no Largo do Padrão é feita a feijoada, em potes de ferro, junto da fogueira. No final do dia de Entrudo, a comunidade junta-se para saborear estes pratos”, acrescenta.