Campus Viseu university residence sign on a brick wall with a shield logo, greenery in front, and students walking by.
cavalhadas_vildemoinhos-9
Man in a suit standing and presenting to a panel of five seated people at a conference.
arrendar casa
Casas Bairro Municipal Viseu 5
janela casa edifício fundo ambiental

No coração verde do concelho de Viseu, Côta é uma aldeia onde…

16.02.26

Nasceu, em Cinfães, a Quinta da Maria, um projeto turístico com alma…

12.12.25

No coração do Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros, há…

21.08.25
jose-damiao-tarouca-232
ps campanha
camapnha10
vinho_queijo_pao
vinhos adega vila nova tazem
A sunny riverside beach with people sunbathing under straw umbrellas on a sandy shore, next to a calm green river framed by forested hills.
Home » Notícias » Colunistas » Nenhum extremismo é inocente

Nenhum extremismo é inocente

 Fragmentos de um Diário – 10 de Agosto de 1983 (continuação IV)
24.06.26
partilhar
 Nenhum extremismo é inocente

Não existem extremismos benignos. Quando a democracia é substituída pela lógica do inimigo, da exclusão e da violência, o resultado é sempre perigoso, independentemente da sua origem ideológica. Agudizam-se os populismos e banaliza-se a violência. Da França à Irlanda, passando por Portugal, multiplicam-se sinais preocupantes de radicalização política e social. Embora com contextos distintos, estes episódios têm um denominador comum: a normalização da violência e dos discursos de ódio. 

Os exemplos recentes de violência política mostram que a radicalização pode assumir diferentes formas e proveniências ideológicas. Porém, o caso português mais recente e mais grave é o do Movimento Armilar Lusitano (MAL). Em Portugal, quem acredita que estas ameaças pertencem apenas a outras geografias deve olhar para o recente processo movido pelo Ministério Público contra membros do MAL. O Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) deduziu acusação a nove arguidos, quatro deles em prisão preventiva, membros do grupo neonazi (MAL). Foi-lhes imputado o crime de organização terrorista. Preparavam um ataque, com granada, ao Primeiro Ministro. O Ministério Público (MP) e a Polícia Judiciária (PJ) identificaram uma lista de alvos, com mais de 80 personalidades e 40 políticos. Eram mais de 120 os “indesejáveis”. Sob o pretexto de proteger a sua raça, os elementos do grupo diziam que os portugueses heterossexuais eram superiores “a todos [os] que fossem não brancos, judeus, ciganos, imigrantes com origem brasileira, africana, asiática e pessoas da comunidade LGBTQI+.” Os arguidos defendem o nazismo e negam o holocausto. Estas ideias são tenebrosas e propagam-se através das redes sociais, amplificadas por algoritmos que privilegiam a polarização, a indignação e o conflito. Os membros da organização terrorista visavam a subversão do regime democrático, a imposição de um modelo autoritário com o recurso à violência para alcançar os seus objetivos ideológicos, produzindo armas e peças de armas em 3D. O perigo é real, há treino militar, fabrico e posse de armas, planos que atentam contra a vida de cidadãos. Entre os alvos identificados encontravam-se políticos, jornalistas, comentadores, artistas e figuras públicas de diferentes sensibilidades ideológicas, revelando a amplitude da ameaça. A propagação dos movimentos extremistas alimenta-se da desinformação, da falta de memória histórica, da fragilidade do pensamento crítico e de falsas promessas. 

Perante este cenário, importa refletir sobre os instrumentos de prevenção democrática. Um deles, talvez inesperado, é a arte. É de enorme atualidade e interesse o “grito de alerta” que podemos retirar da exposição “Vexation of Spirit”, em Serralves, do colecionador Christian Duerckheim, que aprendeu a olhar para aquilo que os outros não reparam.

Duerckheim acredita no poder da arte para ensinar as novas gerações a desconfiar das promessas dos populistas e dos aspirantes a ditadores. Como alerta, “seguir cegamente quem nos promete prosperidade pode ter consequências catastróficas”. O perigo, afirma, está de volta e exige uma cidadania mais crítica e mais informada.

A história demonstra que os extremismos não surgem de um dia para o outro. Crescem lentamente, alimentados pela indiferença, pela desinformação e pela erosão do pensamento crítico. Combatê-los exige mais do que condenação moral: exige educação, memória histórica, cultura democrática e cidadãos capazes de questionar quem promete soluções fáceis para problemas difíceis. A democracia não morre apenas pelas mãos dos extremistas, morre também quando os democratas deixam de estar vigilantes. 

 Fragmentos de um Diário – 10 de Agosto de 1983 (continuação IV)

Jornal do Centro

pub
  • Clube Auchan. Registe-se e comece a poupar
  • Habifactus - Viseu cresce e nós crescemos consigo. A sua imobiliária de confiança há 23 anos.
  • Janelas 4Life. Qualidade, inovação e sustentabilidade
  • ReMax Dinâmica, a agencia numero 1 no Distrito de Viseu
 Fragmentos de um Diário – 10 de Agosto de 1983 (continuação IV)

Colunistas

Procurar