Orange and black open-cockpit race car speeding on a winding road, driver in orange helmet, sponsor decals visible on the bodywork.
Brown cow/bull with large curved horns standing outdoors near rocks and greenery.
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Group of eight professionals in business attire standing on the entrance stairs of a building labeled Training Center, posing for a team photo.
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Modern single-story house exterior at dusk with large glass sliding doors showing warmly lit living and dining areas outside landscaped yard.

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Five people in a formal ceremony pose on a stage; two men in suits hold framed certificates while the other three stand nearby, smiling.
Male singer on stage performing to a packed crowd raising hands under purple lighting.
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Home » Notícias » Colunistas » Ninguém sabe para onde vai… Eu sei, não vou por aí…

Ninguém sabe para onde vai… Eu sei, não vou por aí…

26.10.26
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Há momentos em que o Mundo parece uma casa onde todos falam ao mesmo tempo e ninguém ouve. Há ruas cheias de gente zangada, jovens que olham para o futuro e só vêem uma renda impossível de pagar, uma casa que nunca será sua, um emprego que não paga o que a vida custa. A guerra voltou ao continente Europeu e o Médio Oriente arde sem tréguas. Entretanto, habituámo-nos a viver entre notícias que, há dez anos, nos teriam parecido inimagináveis.

Dá a sensação de que, depois da pandemia, algo ficou desafinado em nós. Fechámo-nos, desconfiámos uns dos outros e aprendemos a viver mais perto dos ecrãs do que das pessoas. Agora, a ansiedade que ficou cobra-se em forma de raiva. A extrema-direita cresce, alimentada pelo medo e embalada pelo exemplo de Trump. A extrema-esquerda endurece o tom e a certeza, como se a pureza das ideias valesse mais do que a sã convivência. Cada lado vê no outro o inimigo, e o meio-termo, onde se constrói quase tudo o que dura, é tratado como cobardia.

É aqui que me volta à memória o Cântico Negro, de José Régio. Em 1926, o poeta escreveu um grito de recusa. Recusa o caminho que todos lhe apontam, as vozes que o chamam para os atalhos da multidão, os braços que se estendem a oferecer abrigo em troca de obediência. Repete, quase como uma teimosia sagrada, que por aí não vai. 

Hoje, esse poema sabe-nos a aviso. Todos os caminhos que nos oferecem têm a mesma promessa: o conforto de pertencer a um lado, de ter uma raiva partilhada, uma culpa para apontar. São tentadores porque a incerteza cansa, e é humano querer descansar dela.

Mas Régio ensina-nos outra coisa, que a liberdade começa quando se tem a coragem de pensar sozinho, de duvidar do slogan, mesmo quando ele vem do nosso lado. 

Recusar a estrada fácil não é isolar-se, é recusar que nos poupem o trabalho de pensar. Talvez seja essa a nossa principal tarefa: voltar a ser capaz de discordar sem odiar, de procurar caminho sem exigir que o caminho já esteja traçado.

Não sei por onde vamos. Mas sei, como o poeta, que alguns caminhos não são para mim…

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