Nasceu, em Cinfães, a Quinta da Maria, um projeto turístico com alma…
No coração do Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros, há…
Reza a lenda que foi um árabe, há mais de mil anos,…
por
Henrique Rodrigues Santiago
As sondagens são um estudo estatístico, realizadas por especialistas, que retrata as intenções de voto ou opiniões do eleitorado num certo e determinado momento, devendo ter como principal objetivo a análise de tendências do comportamento do eleitorado. No fundo, as sondagens são uma espécie de fotografia do momento, utilizando amostras representativas.
Este instrumento deveria ser neutro, o que nem sempre acontece. Em vez de medir, informar e refletir a realidade tal como ela é, nua e crua, passa por vezes a induzir e até a influenciar o eleitorado. Em termos gerais, deixa de retratar a realidade para começar a moldá-la. As sondagens diárias — as famosas tracking polls — além de cansarem o eleitorado, provocam, no meu entender, um fenómeno preocupante: a pressão para o chamado voto estratégico ou voto útil. Esta pressão sente-se ainda mais em eleições sem círculos eleitorais, como as presidenciais. Vários colegas meus, nestas eleições presidenciais, pretendiam votar num determinado candidato, mas, perante sondagens que não lhe davam hipóteses de passar à segunda volta, acabaram por votar no candidato que surgia em primeiro lugar. Já nas eleições autárquicas, onde não existem sondagens diárias para todos os concelhos, essa pressão tende a ser menor e o sentido de voto, na minha perspetiva, torna-se menos suscetível a alterações.
Um estudo de Kate Orkin, da Universidade de Oxford, sugere que as sondagens têm um impacto relevante nos eleitores. Isto não significa que ficássemos melhor sem elas, antes pelo contrário, porque a alternativa seria ou o “dedo adivinho” dos comentadores ou inquéritos realizados sem a devida monitorização, o que dificilmente beneficiaria a sociedade provocando, aliás, um claro retrocesso. Em vez disso, importa dedicar mais tempo, enquanto consumidores e divulgadores de sondagens, a estudos com perguntas que ajudem os eleitores a tomar decisões mais informadas sobre os candidatos, permitindo aos partidos compreender melhor as preferências dos portugueses.
São muitos os políticos que recorrem às sondagens em benefício próprio. Falo não apenas de tentativas de manipulação ou divulgação de estudos pouco rigorosos, mas também da tendência para desvalorizar resultados quando estes não lhes são favoráveis, ao mesmo tempo que se enaltecem os que confirmam as suas expectativas. Em alguns casos, chegam mesmo a encomendar sondagens com objetivos estratégicos, procurando influenciar a narrativa pública ou criar a perceção de vantagem eleitoral. Esta relação instrumental com as sondagens contribui para fragilizar a confiança dos cidadãos e para distorcer o debate democrático. Não creio que este instrumento tenha sido criado para isso, sinto que está, muitas vezes, a ser utilizado de forma incorreta.
Não sou contra as sondagens, bem pelo contrário. Acredito nos estudos de opinião como instrumentos importantes de análise. Critico, isso sim, quem considera que as sondagens que lhe são favoráveis são “boas” e as restantes são “cabalas”, num sistema supostamente conspirativo. Essa narrativa, além de fantasiosa, presta um mau serviço à democracia. As sondagens não devem ser tratadas como inimigos, devem ser tratadas como aquilo que são, umas ferramentas imperfeitas, úteis e que exigem responsabilidade na forma como são produzidas, comunicadas e interpretadas.
por
Henrique Rodrigues Santiago
por
Luís Ferreira dos Santos
por
José Carreira
por
Joaquim Alexandre Rodrigues
por
Sandra Varanda