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Um projeto da Comunidade Intermunicipal (CIM) Viseu Dão Lafões no qual foram observadas 4.887 crianças, entre os 6 e 10 anos, identificou que “uma em cada duas crianças” tem cárie e excesso de peso.
O projeto ‘Comer Bem, Sorrir Melhor’, iniciativa de inovação social, permitiu corrigir problemas de higiene oral e de obesidade identificados nas crianças dos 6 aos 10 anos, matriculadas nas escolas públicas da Comunidade Intermunicipal (CIM) Viseu Dão Lafões. Numa parceria da Ordem dos Médicos Dentistas com a Ordem dos Nutricionistas, foram observados 4887 alunos, tendo sido realizadas 11 221 consultas: 5851 de Medicina Dentária e 5370 de Nutrição.
Uma das conclusões mais relevantes do estudo é que 73,3 por cento das crianças observadas, com risco moderado de desenvolverem cárie dentária, melhoraram os comportamentos alimentares e de higiene oral evoluindo para risco baixo. Na avaliação nutricional, 51,5 por cento das crianças diagnosticadas com obesidade diminuíram o seu Índice de Massa Corporal (IMC) para pré-obesidade.
“Isto é preocupante, 43,7% das crianças têm cárie e com excesso de peso são 44,5%, ou seja, uma em cada duas crianças têm cárie e excesso de peso. A literacia melhorou, mas temos de mudar os comportamentos”, defendeu a coordenadora do projeto, Maria Llanes, durante a apresentação de resultados do projeto de inovação social “Comer Bem, Sorrir Melhor”.
“Foi possível reverter as lesões iniciais de cárie, caracterizadas por manchas brancas de desmineralização, em 73,5 por cento das crianças, com a simples mudança de hábitos de higiene oral e alimentação e concentrações mais elevadas de flúor. Estas crianças não necessitaram de tratamentos invasivos, melhoraram o conhecimento sobre saúde oral e acabam por influenciar positivamente os respetivos agregados familiares”, realçou como resultado positivo desta iniciativa.
O projeto foi dividido em duas fases, com intervalo de cinco meses. Na primeira fase foram observados 4887 alunos e realizadas 9734 consultas, sendo 4864 de Medicina Dentária e 4870 de Nutrição. Para a segunda fase transitaram 1309 alunos, identificados com risco moderado, alto e extremo para a cárie dentária e os diagnosticados com obesidade. Deste grupo resultaram 1487 consultas, sendo 987 de Medicina Dentária e 500 de Nutrição.
O relatório do projeto, elaborado pela Faculdade de Medicina de Viseu da Universidade Católica Portuguesa, foi apresentado por Anna Moura que esclareceu que da primeira para a segunda fase, “na impossibilidade de observarem todas as crianças, foram vistas os que apresentavam casos mais problemáticos”.
“Houve mudança de comportamentos e de hábitos alimentares que fizeram as crianças perderem alguns quilos para passarem de obesas a pré-obesas, porque, felizmente, também não falamos em casos de obesidade mórbida”, esclareceu.
Na apresentação do resultado esteve também a diretora do Agrupamento de Escolas de Nelas, Olga Carvalho, que perante o resultado obtido nos seus 302 alunos, apresentou conclusões e sugestões.
“Alguns pais mostraram discordância em relação à informação registada na carta que receberam ao nível de uma possível obesidade e também questionaram sobre a possibilidade de um segundo cheque dentista, já que tinham usado o primeiro”, disse.
As mudanças de comportamento, sublinhou, “passam muito pelos pais e, por isso, uma das sugestões é que haja sessões entre técnicos e pais e encarregados de educação para uma maior promoção na alteração de hábitos” das crianças.
“Também seria muito importante que o projeto tivesse continuidade e que houve nas escolas a presença de técnicos especializados, apesar de saber que as câmaras têm nutricionistas, mas era importante haver de mais áreas da saúde nas escolas”, apelou Olga Carvalho.
A continuidade do projeto foi, aliás, desejada por todos os intervenientes, desde o presidente da CIM Viseu Dão Lafões, Fernando Ruas, ao bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, Miguel Pavão, ao representante da Ordem dos Nutricionistas, Luís Filipe Amaro, assim como da coordenadora do projeto e da Universidade Católica.
“Este é o exemplo de um projeto que trás poupança para a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde”, salientou o bastonário dos Médicos Dentistas.
O secretário executivo da CIM Viseu Dão Lafões, Nuno Martinho, adiantou que está a ser feita uma candidatura, que será apresentada em março, para iniciar “no próximo ano letivo e dar continuidade a este projeto”.
“Para chegar às mesmas crianças que participaram nesta fase, mas também para chegar a outro público-alvo escolar, ou seja, a mais alunos de outros níveis de ensino”, assumiu.