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Sandra Varanda
A adolescência é marcada pela descoberta de emoções, relações e identidade. É muitas vezes neste período que surgem as primeiras relações amorosas. Embora estas possam ser experiências positivas e enriquecedoras, é também nesta fase que pode emergir um problema sério e muitas vezes silencioso: a violência no namoro.
Em Portugal, a violência no namoro é reconhecida como uma forma de violência doméstica e constitui um crime público. Ainda assim, continua a ser desvalorizada ou confundida com “ciúmes normais”, “dramas da idade” ou “coisas passageiras”. Os pais têm um papel fundamental na prevenção, deteção e apoio aos seus filhos.
É importante sublinhar que a violência não começa, geralmente, com agressões físicas, mas sim com comportamentos de controlo e desvalorização que podem passar despercebidos.
A violência no namoro refere-se a qualquer comportamento abusivo entre duas pessoas que mantêm uma relação afetiva, independentemente da duração ou da idade. Esta violência pode assumir várias formas, a violência psicológica (insultos, humilhações, chantagem emocional, controlo, isolamento de amigos e família), a violência emocional (manipulação, ameaças de abandono, culpabilização constante), a violência física (empurrões, bofetadas, ou outras agressões), a violência sexual (pressão para atos sexuais, desrespeito pelo consentimento) e ainda a violência digital (controlo de redes sociais, exigência de passwords, mensagens constantes, partilha de imagens íntimas sem consentimento).
Muitas vezes, os jovens não se apercebem de que estão a viver uma relação pouco saudável, ou abusiva, por medo de perder o/a namorado/a ou dificuldade em identificar certos comportamentos como errados, podendo normalizar atitudes que não são aceitáveis. Existem sinais a que pais e mães devem estar atentos, tais como: isolamento social e afastamento da família, medo excessivo de desagradar ao/à namorado/a, baixa autoestima, tristeza ou ansiedade, necessidade constante de responder a mensagens ou chamadas, justificação frequente de comportamentos agressivos do/a namorado/a.
É importante que jovens, pais, mães, saibam que não estão sozinhos, que em Portugal existem recursos disponíveis para apoio, tais como:
– Linha Telefónica de Informação às Vítimas de Violência Doméstica (800 202 148);
– Linha de Apoio à Vítima — APAV (116 006);
– Na Escola podem recorrer a uma pessoa adulta de referência para a vítima em como utilizar o Serviço de Psicologia e Orientação (SPO);
– No Centro de Saúde podem recorrer à equipa de saúde familiar, ou ao Núcleo de Apoio a Crianças e Jovens em Risco (NACJR) constituído por uma equipa multidisciplinar específica. O atendimento pode ser agendado presencialmente ou através de contacto telefónico.
Falar, ouvir e agir podem fazer a diferença. O amor não magoa, não controla e não humilha. Ensinar isto aos jovens é um dos maiores atos de cuidado que os pais podem
oferecer.
Sandra Varanda, Enfermeira Especialista em Saúde Comunitária na Área de Saúde Familiar, UCC Viseense
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