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Home » Notícias » Colunistas » O ar-condicionado “fachista”

O ar-condicionado “fachista”

 Nanopartículas: pequeno tamanho, enorme potencial
30.08.25
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 O ar-condicionado “fachista”

por
Joaquim Alexandre Rodrigues

Quando há uma vaga de calor, Paris é um inferno. E cada vez há mais disso: desde 1900, oito dos dez verões mais quentes na cidade-luz foram nos últimos dez anos. 
Aqui na Ibéria estamos mais habituados e equipados para enfrentar a canícula. Em Paris, nem por isso. Uma boa parte dos prédios não tem isolamento e tem telhados de zinco. São fornalhas com gente dentro. 
No final de Junho, Marine Le Pen propôs “um grande plano de equipamento de ar-condicionado” para “escolas, hospitais e lares de idosos” e no X, ao seu jeito populista, solidarizou-se com “os trabalhadores que estão a sufocar em edifícios sem ar-condicionado” enquanto “os líderes” “obviamente, desfrutam de veículos e escritórios com ar condicionado”. 
Estava mesmo a ver-se. Como explica Ramón Gonzalez Férris, no El Confidencial, mal a “fachista” abriu a boca, logo “a esquerda radical mordeu o isco. A líder ambientalista [Marine Tondelier, conhecida como ‘a outra Marine’] respondeu que não era necessário mais ar condicionado, mas sim cidades mais verdes e edifícios com maior eficiência energética.” 
Tudo isso é verdade. Tudo isso tem que ser feito. Problema: estava demasiado calor. Como a coisa não ia lá com leques e as árvores demoram a crescer, os franceses não quiseram saber das lições de moral da Marine das esquerdas “sobre o consumo e o sacrifício” e disseram sim ao ar-condicionado “fachista” e ao “talento demagógico” da Marine das direitas. Tudo o que botasse ar frio desapareceu das prateleiras das lojas, tiveram de vir de emergência mais da China, de avião, ao dobro do preço.  
Enquanto as esquerdas insistirem no “sofre agora porque vais obter um céu no futuro” não vão a lado nenhum e estão a atraiçoar o seu ADN. Fazia-lhes bem lerem “Abundance”, de Ezra Klein e Derek Thompson. Ainda não o li, mas vou ler. O colunista do El Confidencial afirma que é “o livro mais importante para as esquerdas em muito tempo”, que é “tempo de a esquerda resgatar uma das suas marcas de longa data: a criação de bem-estar, conforto e um nível de vida crescente para as classes médias e trabalhadoras”, que há que “gerar abundância suficiente para todos: mais habitação barata, comboios mais eficientes, alimentos saudáveis acessíveis, energia de baixo custo, medicamentos.” E ares-condicionados, porra!, acrescento eu. “A esquerda precisa de repensar a excessiva regulamentação e a moralização”, isto é, deixar de ser um atraso de vida. 
Que tenha dado conta, “Abundância” ainda não tem edição portuguesa. Está a ser lido com muita atenção nos estados governados pelos democratas nos EUA, cuja rigidez e hiper-regulação faz com que seja um inferno burocrático construir uma casa ou abrir uma fábrica, o que faz com que as pessoas e os negócios se estejam a mudar para estados republicanos. 
Era bom que esse livro fosse lido com atenção também pela paquidérmica e cada vez mais regulatória UE. Veja-se, por exemplo, a saga que é conseguir tirar lítio de debaixo do chão. 
Ou se acaba com esta paralisia que nos está a tornar irrelevantes no mundo ou o povo europeu procura outras soluções. É que, quanto mais compramos à China para não termos chatices com os moralismos caseiros, mais o povo vota nas direitas iliberais

 Nanopartículas: pequeno tamanho, enorme potencial

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