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Alfredo Simões
Recentemente, o INE publicou dois estudos, o “Índice Global de Desenvolvimento Regional (ISDR), 2025” e“Estimativas da População Residente-2025”: o primeiro avalia a evolução do desempenho de alguns indicadores nos domínios da “Competitividade”, da “Coesão” e da “Qualidade Ambiental” dos territórios e o segundo estima a população residente, nos anos de 2021 a 2025.
Relativamente a Viseu e à Região, podemos dizer que as notícias são, em geral, positivas. Claro que podemos olhar para estas informações sempre na perspetiva do copo meio cheio ou do copo meio vazio. Vamos aos números.
A primeira boa noticia é a evolução estimada para a população residente no concelho de Viseu. Em 2025, a população residente ter-se-á cifrado em 109 166 viseenses, mais 1 100 do que no ano anterior, e mais 8,5% do que em 2021. Refira-se que este crescimento, desde o inicio da década, é superior ao verificado no País (+7,8%), na RCentro (+6,2%) e nos concelhos de Coimbra (+7,1%) e do interior (CBranco +7,5%; Guarda +2%; Covilhã +7,3%). A boa notícia continua com o crescimento verificado, entre 2024 e 2025, na população potencialmente ativa (entre os 15 e os 64 anos). No concelho de Viseu esse crescimento cifrou-se em 1,9% que compara com o crescimento de apenas 0,3%, a nível nacional e na região Centro. No conjunto de Viseu Dão Lafões verificou-se igualmente um crescimento, embora não tão expressivo, +0,8%. Registe-se, por outro lado, que o crescimento do número de viseenses, entre os 15-64 anos, suplantou igualmente o registo verificado em todas as maiores cidades da região Centro.
| A evolução da população residente do concelho de Viseu é especialmente importante se atendermos a que, nos tempos atuais, em Portugal e no resto da Europa, o crescimento da economia, para além dos fatores associados à inovação e à produtividade, depende da capacidade para ultrapassarmos a persistente escassez de recursos humanos. |
A observação do ranking das NUT III quanto ao Índice (Global) de Desenvolvimento Regional pode deixar-nos algumas preocupações por “Viseu Dão Lafões” se situar no 16º lugar entre as 26 NUT III do País (dados de 2024). Não é um lugar famoso e pelo menos desde 2021 (já anteriormente isso acontecia embora devamos acautelar as comparações porque, como o INE assinala, houve alguns ajustamentos da metodologia deste tipo de estudo) que a nossa região se situa na segunda metade da tabela. Porém, no ano anterior, estávamos um lugar abaixo. Sinal de que estamos no caminho para melhorar?
Este índice sintético é formado pela integração de 65 variáveis que se organizam em três índices distintos e complementares: “Competitividade” (25 variáveis), “Coesão” (25 variáveis) e “Qualidade Ambiental” (15 variáveis). Quanto ao Índice “Competitividade”, a nossa região ocupa o 14º lugar, tendo subido um lugar desde o ano anterior, o Índice sobre a “Qualidade Ambiental” é o que mais penaliza Viseu Dão Lafões pelo 24º e antepenúltimo lugar. O índice sobre a “Coesão” permite-nos passar para a primeira metade da tabela, ocupando o 11º lugar.
| É sempre bom apreciarmos – sem euforias! – quando os resultados melhoram e, por isso, importa especialmente assinalar o desempenho da região no que respeita à “Coesão” – distribuição de rendimentos, acesso a saúde, níveis de escolarização, desemprego, etc. -, que ainda tem margem para melhorar, mas também na ligeira subida da “Competitividade” – produção, produtividade, renovação da população ativa, atividades internacionalizáveis, despesas em I&D, etc. – que necessita, claramente, de uma decisão coletiva para mudarmos de “campeonato”. |
Não creio que estar um par de lugares mais acima ou mais abaixo possa ter um significado especial. A região deve ter maior ambição. Para o efeito, a existência deste Índice permite-nos olhar para o problema que temos no nosso desenvolvimento, especialmente no que respeita à competitividade e à qualidade ambiental, observarmos cada uma das variáveis que constituem os índices, tomarmos consciência das nossas falhas e nos aspetos em que temos melhores desempenhos e estudarmos quais as saídas para a resolução desses problemas. Depois, precisamos de garantir três coisas sem as quais não obteremos melhores resultados: organização, estruturas e ação (ver artigos anteriores no Jornal do Centro).
Porém, por muito significativa que seja a determinação local, sem a intervenção externa favorável das políticas públicas nacionais e da UE, sem um ambiente internacional amigável afastado das ameaças e das ações de Trump e parceiros de guerra (Israel, Irão, Rússia e afins), a subida nos rankings torna-se um exercício penoso em especial para as pessoas e para os territórios mais vulneráveis. Apesar disso, é um exercício que precisamos de fazer.
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Susana Santos Valente
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Daniel Torres Gonçalves e Augusto Almeida Correira - Andersen em Portugal
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Joaquim Alexandre Rodrigues