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Bye-bye, presidente Marcelo

 Participação cívica: o oxigénio da democracia
07.03.26
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 Bye-bye, presidente Marcelo

por
Joaquim Alexandre Rodrigues

Faltam dois dias para o fim da presidência de Marcelo Rebelo de Sousa. Figura simpática e solitária, o presidente da república fica conhecido pelas marselfies (muitas delas tiradas na Feira de S. Mateus de Viseu, onde, conforme confessou em 2022, já tinha vindo dezanove vezes) e pelos seus vigorosos apertos de mão (é mítico o teste que fez à qualidade das articulações de Paddy Cosgrave, na WebSummit, e do Papa Francisco, nas Jornadas Mundiais da Juventude).
Por essas e por outras, Marcelo manteve altíssimos níveis de popularidade até ser conhecido o caso das gémeas brasileiras que parasitaram o nosso SNS em quatro milhões de euros, por obra e graça do seu filho Nuno.

Estive a reler o que escrevi aqui sobre Marcelo nos últimos dez anos. Estranhamente, com algum embaraço, confesso ter dado conta de nunca o ter criticado pela sua incontinência verbal, por estar sempre a mandar palpites sobre tudo e um par de botas, até na zona das flash-interviews depois dos jogos da selecção. 
Neste últimos dias, Marcelo tem afirmado que se vai calar depois de entregar a presidência a António José Seguro, mas todo o país sabe que ele é incapaz de manter a boca calada. Sendo verdade que nunca critiquei o homem por falar demais, também é verdade que zurzi o maior erro do seu primeiro mandato e o maior erro do segundo:
— em 2018, Marcelo não reconduziu Joana Marques Vidal, a única procuradora-geral da república que verdadeiramente tinha incomodado os poderosos; mancomunado com António Costa, ao correr a melhor PGR da terceira república, o PR causou um dano grave (acelerou a degradação da justiça) e um irreparável (explicou aos quadros superiores do Estado que o seu futuro não dependia do mérito e da diligência com que desempenhavam as suas funções, mas da forma como dobravam a cerviz aos caprichos e à conveniência dos políticos de turno); 
— no segundo mandato, Marcelo, filho de um ex-governador-geral de Moçambique, começou a aderir às ideias do decolonialismo; se terá sido coisa freudiana, não sei dizer; sei que esta wokice marcelista, posta em discurso presidencial nos finais de Abril de 2024, criou problemas e abriu deliberadamente querelas históricas até aí inexistentes entre os países lusófonos. 

Em 3 de Maio de 2024, descrevi aqui assim este erro crasso do PR: “Marcelo Rebelo de Sousa, ao mesmo tempo que desperfilhava o dr. Nuno Rebelo, decidiu perfilhar um dos dogmas centrais da religião woke, o que determina que todos os males passados, presentes e futuros do mundo são culpa do homem branco, dos filhos do homem branco e dos filhos dos filhos do homem branco.” A seguir, pedi a Pedro Nuno Santos, na altura líder do PS, para não se meter no “atoleiro das ‘reparações coloniais’”. 

oaquimEstendo a mesma recomendação ao presidente eleito António José Seguro que vai tomar posse depois-de-amanhã, após ter obtido a maior votação de sempre em Portugal: 3.505.846 votos.

 Participação cívica: o oxigénio da democracia

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