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Joaquim Alexandre Rodrigues
Por inícios destes anos 20 do século XXI, a UE começou a mexer-se um pouco. Ao mesmo tempo que se mobilizava contra a pandemia, ultrapassava tabus em matéria de dívida comunitária. Em 2021, começou a bombar o Plano de Recuperação e Resiliência, anunciado ao povo com charangas e foguetes, ia ser um dilúvio de milhares de milhões, boa parte a fundo perdido. Foi mais um “agora é que é!” que me fez sorrir.
É que, em Portugal, desde os tempos da cavacal figura, há uma indústria de “execução” de fundos comunitários que pouco mais faz do que isso: “executá-los”, isto é, matá-los, homicidiá-los. Lisboa parte e reparte e fica com a melhor parte, as sobras vão para a “paisagem”. Depois de quatro décadas de “fundos estruturais”, Portugal continua encalhado nos últimos lugares, a ser ultrapassado por países do leste que entraram na UE duas décadas depois.
Desta vez, na negociação do PRR, os ditos países frugais (Países Baixos, Áustria, Dinamarca, Suécia, Finlândia, …), nada entusiastas da mutualização de dívida, só cederam nas subvenções a fundo perdido quando conseguiram impor um prazo — tudo tinha que estar pronto em 2026. As brumas do norte impuseram aqueles prazos apertados porque já sabiam os costumes ensolarados do sul.
Portugal não os desiludiu. Por cá, decide-se devagar, executa-se mal, responsabiliza-se pouco. O Estado, infiltrado por boys dos partidos e profissionais da “execução” de fundos, é uma múmia paralítica nas unhas da grande advocacia de negócios. Um PRR do século XXI, manobrado por uma máquina do século passado. Vai ser bonito quando o nosso “jornalismo” começar a receber as “fugas de informação” deste festim. É que as pessoas andaram estes anos todos a ouvir falar nos milhares de milhões do PRR e só estão a ver a sua vida a andar para trás.
No meio disto tudo, Viseu. O dr. Ruas regressou ao Rossio, em 2021, no início do PRR. Um enorme desafio para o qual já não tinha andamento. O tempo, já por si, é um patife. Com aquela corrida contra-relógio, imposta pelos países do Norte, ainda mais.
Viseu passou ao lado do PRR. Concepção, concursação, execução de novos centros de saúde? Está quedo. Um Mercado de Frescos a sério em vez da tenda de 822 mil euros (!) junto à segurança social? Isso é que era bom.
Até a construção de uma Residência de Estudantes, na Prebenda, deu barraca. Em desespero, João Azevedo acaba de lançar um plano B, aproveitando a falta de vocações sacerdotais. Vai tentar arranjar 75 camas no antigo seminário de Viseu para não perder dois milhões de euros. Do mal o menos: temos aqui o desenrascanço católico a dar a volta aos calvinistas do norte.
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Joaquim Alexandre Rodrigues
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