No coração verde do concelho de Viseu, Côta é uma aldeia onde…
Nasceu, em Cinfães, a Quinta da Maria, um projeto turístico com alma…
No coração do Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros, há…
Patrícia Portela já não é diretora artística do Teatro Viriato, em Viseu, tal como tinha avançado o Jornal do Centro.
A confirmação oficial foi feita esta manhã de terça-feira (1 de fevereiro) através de um comunicado do Centro de Artes do Espetáculo de Viseu (CAEV), a entidade gestora do Teatro Viriato. A nota refere que Patrícia Portela deixou as funções de diretora com efeitos desde a última segunda-feira (31 de janeiro).
O Jornal do Centro sabe que a escritora e o CAEV terminaram o vínculo por comum acordo.
Na nota, a associação responsável pela gestão do Teatro Viriato garantiu que Patrícia Portela deixa definida a programação do Teatro Viriato até ao final deste ano e que será feita “uma consulta para a seleção da nova direção artística, cujo procedimento será desenvolvido em breve”.
No mesmo comunicado, o CAEV deixou um agradecimento à escritora, dramaturga e artista pelo “trabalho desenvolvido nestes dois anos, num contexto tão difícil como o que atravessámos”, referindo-se à pandemia da Covid-19 que obrigou a constantes ajustamentos no funcionamento do Teatro devido às restrições, e fez “votos de sucesso na sua vida pessoal e profissional/artística”.
Já a vereadora da Cultura na Câmara de Viseu, Leonor Barata, disse que a autarquia, apesar de ser a dona do equipamento, não se envolve nas escolhas artísticas do Teatro Viriato.
“O CAEV é uma organização completamente autónoma da Câmara e a prática do Município é que não tem de se intrometer nas escolhas artísticas do Teatro, e prezo bastante a autonomia artística que o CAEV tem mantido ao longo destes anos. A Câmara foi informada desta situação como deve ser, aliás, pelas boas relações instituições que nos juntam, mas a partir daqui não tenho mais comentários a tecer”, afirmou ao Jornal do Centro.
Leonor Barata também acredita que a qualidade artística vai continuar a ser assegurada no Teatro Viriato.
“Pelo que li do comunicado e pelo que me foi transmitido, isto foi uma situação que tem muito a ver com o fecho de um ciclo para a Patrícia e com esta ideia de finalizar trabalho, mas parece-me que é tudo tranquilo. Agora, o CAEV vai ter de encontrar uma solução que vai ser certamente partilhada com o Município para a nova direção artística”, concluiu a vereadora da Cultura.
Uma direção marcada pelos efeitos da pandemia
Patrícia Portela assumiu as funções de diretora artística do Teatro Viriato a 1 de março de 2020, altura em que a pandemia da Covid-19 começou a provocar fortes impactos na cultura com o encerramento de salas de espetáculos.
Quando foi anunciada a sua nomeação, o Teatro Viriato referia-se a ela como uma “profunda conhecedora” do espaço cultural e também “uma das artistas que tem marcado presença assídua na sua programação”, sendo reconhecida “nacional e internacionalmente pela singularidade da sua obra, tendo recebido por ela vários prémios”.
Já a direção do CAEV referia, na altura, que a escolha de Patrícia Portela iria “garantir a continuidade” do projeto do Teatro Viriato.
A escritora sucedeu a Paula Garcia, que atualmente preside à direção do CAEV, mas que está agora a coordenar a equipa de missão da candidatura de Évora a Capital Europeia da Cultura 2027.
Desde então, a programação do Teatro Viriato tem sido constantemente ajustada face à evolução da pandemia, sendo que o espaço cultural foi fechando e reabrindo as portas conforme a situação pandémica e as restrições em vigor.
Mas, apesar do contexto de pandemia, Patrícia Portela apostou sempre em convocar a presença do público, quer presencialmente, quer virtualmente (através dos “subpalcos” virtuais). Um dos projetos, “Boca A Boca”, foi feito em parceria com a Rádio Jornal do Centro e cujos podcasts podem ser ouvidos na página online.
Numa tentativa de estar mais próximo do público, no ano passado, o Teatro Viriato abriu um espaço num centro comercial da cidade, denominado Meia Dose, para apresentar pequenas performances, livros, conversas, vídeos e exposições.
Mais recentemente, organizou mais uma edição do festival de dança NANT, que passou a ser chamado de “Novas Ações, Novos Tempos” e teve uma alteração na data de novembro para janeiro.
Patrícia Portela foi criadora de espetáculos como “Flatland”, “Wasteband”, “Por Amor”, “Fábulas Elementares”, “A Coleção Privada de Acácio Nobre” e “Parasomnia” e autora de livros como “Para Cima e não para Norte”, “Banquete”, “Dias Úteis”, “Hífen” e “Seis Histórias de Tamanhos Diferentes”.
A artista, que vivia temporadas entre Portugal e Bélgica, é ainda cronista do Jornal de Letras e foi também professora da Escola Superior de Teatro e Cinema.
Antes de Patrícia Portela, o Teatro Viriato teve como diretores Paulo Ribeiro, Miguel Honrado e Paula Garcia.