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Fragmentos de um Diário – 31 de outubro a 26 de novembro de 1981

 O Cine Clube de Viseu comemora os seus 70 anos de vida com uma exposição documental na Casa da Ribeira
02.07.22
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 Fragmentos de um Diário – 31 de outubro a 26 de novembro de 1981

31 Outubro 1981, sábado

         O pior é ao entardecer! A solidão, a tristeza, a angústia, a insegurança. Porquê?

23 Novembro 1981, segunda-feira

         Coimbra. Que tenho eu a escrever? Não sei. No entanto, desde que saí do cinema que sentia o desejo de o fazer. E aqui estou a interrogar-me, aos vinte minutos deste novo dia. Na rádio ouço uma música sinfónica de Rossini. Estou calmo e gostava de escrever que me interessava a desaprendizagem de muita coisa. Quero ser mais livre, mais solto, sem preconceitos, sem grandes ideais ou complexos, sem muitas pretensões, sem ter que ter opiniões sobre isto ou aquilo. Quero ser feliz. E a felicidade tem pouco a ver com abstrações, com a problemática política ou o debate religioso. A felicidade é antes de mais um modo de estar no mundo, de olhar as coisas, de um equilibrado convívio com pessoas, bichos e objetos. A felicidade é ouvir música, ler um poema, caminhar, amar, e para isso não é preciso tirar cursos, frequentar escolas, assistir a conferências, ruminar ensaios, etc.

26 Novembro 1981

         A busca da felicidade não me autoriza a alhear dos problemas sociais. E entendo que tudo o que faço deve de alguma maneira refletir esse pressuposto. A poesia, por exemplo, não deve servir um objetivo partidário, apologético, mas não se pode fingir que não se lhe reconhece uma dimensão subversiva ao incendiar preconceitos, ao agitar a modorra quotidiana.  É certo que com frequência nos invade um sentimento de impotência face à dureza da realidade, que justifica a fuga para o nosso casulo interior, a nossa torre de marfim. Mas não é a atitude mais correta. Não se coloca a questão da possibilidade individual de mudar radicalmente o mundo, mas a mudança não vive só das grandes ações, mas também dos pequenos gestos ao nosso alcance.
Mas confesso que o que acabo de escrever é sobretudo uma abstração. Devo sobretudo cumprir-me como pessoa, assumir a minha singularidade, conhecer-me. E que cada um se comprometa com a sua vocação. Não posso nem sei representar papeis que não sejam os meus. Nunca daria um bom deputado, ou gestor de empresa, ou mecânico. Desempenharia com razoável mestria o ofício de jardineiro. Talvez venha a ser um razoável professor. E acho que não tenho jeito para mais nada.

 O Cine Clube de Viseu comemora os seus 70 anos de vida com uma exposição documental na Casa da Ribeira

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