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Histórias de emigração em residência artística

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12.10.22
fotografia: Jornal do Centro
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12.10.22
Fotografia: Jornal do Centro
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 Histórias de emigração em residência artística

Após duas semanas de trabalho, quatro artistas que percorreram as aldeias do concelho de Vouzela à procura de histórias de emigração vão apresentar o resultado da sua residência artística este sábado (dia 15).

O espaço Lafões Cult Lab, em Vouzela, vai receber, pelas 17h00, a apresentação pública do projeto “Ecos da Ida e do Retorno”, integrado no 16.º ciclo anual de residências artísticas em artes sonoras e media dinamizado pela associação cultural Binaural Nodar.

“Ao longo de duas semanas, quatro artistas pesquisaram em territórios rurais do município de Vouzela sobre processos migratórios, histórias familiares e implicações coletivas, devolvendo à comunidade a sua particular expressão artística, uma que é influenciada pela experiência e pelos contactos com habitantes locais, mas também pelo percurso artístico e pelo contexto de origem de cada artista”, refere a Binaural.

Segundo a associação, o projeto – que juntou os artistas israelitas Anat Handelsman e Avishay Zawoznik, o italiano Niccolò Masini e o brasileiro Rafael Bresciani – continuará nos próximos meses com investigações sonoras e visuais em vários municípios da região de Viseu, na Suíça, no Brasil e no Uruguai, estando também previstas várias outras apresentações públicas.

A Binaural salienta que o projeto foi criado para contar histórias de migração que atravessam localidades e aldeias desde o final do século XIX até hoje.

“A emigração é simultaneamente parte da memória e do presente das regiões rurais portuguesas. Em cada aldeia coexistem múltiplas camadas temáticas que se relacionam com as distintas vagas de emigração, aquelas mais longínquas, para o Brasil, Venezuela, Estados Unidos da América, etc. ou aquelas mais próximas, para países europeus como a França, Alemanha, Suíça ou Luxemburgo. De igual forma, muitas zonas rurais acolhem hoje pessoas originárias de outras paragens dos vários continentes, num processo em sentido contrário ao que encetaram tantos portugueses”, refere a associação sediada em Vouzela.

O “Ecos da Ida e do Retorno” pretende aprofundar, através de conversas com antigos e atuais emigrantes, temas como “a arquitetura, a economia, a língua, os sentidos de pertença e de inserção cultural dos que emigraram e dos seus descendentes, as perceções sobre a evolução dos lugares de destino e origem, o tipo de vinculação com o mundo rural, as narrações e os registos documentais familiares, a simbologia e semiótica afetiva, a gastronomia e tantos outros”.

A residência artística já foi feita em setembro em Várzea de Calde, aldeia do concelho de Viseu, tendo culminado com peças criadas pelos artistas André Araújo, Toma?s? Roc?ek, Ana Rodríguez, Luís Costa e Liliana Silva.

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