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A Companhia Paulo Ribeiro deixa Viseu, 25 anos depois de se ter instalado na cidade. O coreógrafo e diretor artístico lança críticas à atual direção do Teatro Viriato e à “passividade” do pelouro da cultura da autarquia por inviabilizarem a continuidade desta estrutura que se muda agora para Cascais.
Paulo Ribeiro assumiu que é com tristeza que vê a Companhia que “faz parte do código genético” do Teatro Viriato – e “vice-versa” – terminar a ligação. “Inviabilizar a Companhia em Viseu é desrespeitar o público” com quem foram criadas memórias, afirma, lamentando que a atual direção do Teatro Viriato não tenha arranjado espaço na programação do próximo ano para a apresentação das suas peças e a falta de resposta por parte da autarquia viseense.
Um lamento que o próprio bailarino deixou em palco no final da apresentação, no Teatro Viriato, da peça “Rumor dos Deuses”.
“Mesmo com a partida da Companhia da cidade, a vontade publicamente expressa – por mim e pelo Sr. Presidente da Câmara – foi sempre a de manter viva esta ligação tão cúmplice. Não foi, contudo, essa a opção tomada pela actual direcção do Teatro, a que se somou a passividade da vereação. Apresentámos propostas, foram recusadas. O privilégio de vos ter como público, termina portanto aqui”, proclamou perante uma plateia que acabou por ser apanhada de surpresa e para quem as últimas palavras foram dirigidas. “Uma vez mais vos agradeço as belíssimas duas décadas e meia que me permitiram percorrer convosco”, finalizou.
Ao Jornal do Centro, o coreógrafo admitiu a mágoa. “A sede muda, mas eu nunca quis que a Companhia deixa-se de manter uma relação com a cidade e com o Teatro, foram muitos anos, fizemos coisas belíssimas. Continuar a trabalhar com Viseu, apresentar as obras uma vez por ano é o que eu desejava que pudesse acontecer como está a acontecer com outras cidades. A nova direção artística vetou isso e a vereadora da Cultura ficou a assobiar para o ar”, lamentou.
Para Paulo Ribeiro, mesmo sem lugar na programação desenvolvida pelo Teatro, poderia haver abertura por parte do município para a co-produção.
“Parece que há uma vontade de apagar a memória”, salientou, realçando, no entanto, que “não será possível apagar esta cumplicidade”. “As obras criadas in loco ecoam nas paredes. Um Teatro é uma esponja. Esta estrutura respira igualmente a intensidade de alegrias, dúvidas e, sobretudo, a imensa esperança num mundo melhor que foi sendo aqui esboçada e idealizada ao longo de décadas”, declarou.
A Companhia Paulo Ribeiro tem mais de 25 anos de existência e foi a primeira, e até agora única, estrutura do género a instalar-se no interior de Portugal. Criada pelo coreógrafo e bailarino, teve também direção de São Castro e António Cabrita.
Paulo Ribeiro foi diretor-geral e artístico do Teatro Viriato (entre 1998 e 2003 e, depois, entre 2006 e 2016), do Ballet Gulbenkian (entre 2003 e 2005), da Companhia Nacional de Bailado (2016-2018), tendo estado envolvido no lançamento das bases da futura Casa da Dança em Almada (2019-2020).