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De onde vem o Cancioneiro dito ‘dos Antíguos’

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25.03.23
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25.03.23
Fotografia: Jornal do Centro
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 De onde vem o Cancioneiro dito ‘dos Antíguos’

Pinho Leal, no seu famoso “Portugal Antigo e Moderno”(1873) escrevia a propósito de Abravezes: “freguezia, Beira Alta, districto administrativo, bispado, comarca e concelho de Vizeu, 285 kilometros ao norte de Lisboa, 340 fogos. Orago Nossa Senhora dos Prazeres”.

Com todo o respeito que nos tem o insigne Pinho Leal, em nenhum momento refere que Abraveses agora se escreve com “s” – por vezes – e que da Vila que é (é verdade, é Vila) nada deve ou teme a outras e estruturantes narrativas nacionais. Não foi palco de epopeias Camonianas, mas também não foi palco de batalhas navais. Não se pode ter tudo e Abraveses não o terá. Ainda assim, terá mais que o que em 1873 se decidiu aboletar ao território de então 340 fogos.

Disto não terá culpa exata o Senhor Pinho Leal, mas poderia ao menos ter envidado esforços para encontrar bola de Cristal e esmiuçar o futuro. Só não alcança quem cansa, na inversão do mote e ex-libris de Aquilino Ribeiro [Alcança quem não cansa, no original] e que terá, em Abraveses, secundando um fôlego que o levou a novo exílio. Isto após fuga do Presídio do Fontelo, com remoques de produção Netflix. Aquilino escrevia e exilava, frequentemente, vai não vai por ser ao tempo o que hoje denominaríamos “terrorista doméstico”. Fosse por albergar bombistas com ideias de atentar contra o rei – no tempo dele e deles – fosse por congeminar contra a ideia de Nação que a outro beirão mais encantava, mas nenhuma réstia de voz livre permitia.

Voltando ao que poderia afirmar sem bola de cristal e mais antigo que o “Portugal Antigo e Moderno”, seria a Via Romana por onde se fazia de lajeado o percurso até aos estanhos de Bodiosa, mais adiante, e ao Norte, se com vagar e intenção. Não havia estanho sem carro e carro sem paragem. Parava-se em Abraveses, o carro e o condutor com suas bestas. Ou as bestas e o carro com os animais, presos nas argolas ainda não há muito visíveis na frontaria do Zé da Bucha, cuja Senhora, entre buchas, entremeava conversas a quem as registava nos calabouços pidescos Lisboetas – que ficavam somente a 285 quilómetros, por sinal – para garantir a paz na terra e o Bem da Nação.

Da Via Romana não se sabe mais fora o que se diz de ser, já que lhe pavimentaram as ideias Clássicas com betume e alcatrão, para a proteger do frio. Os caminhos e estradas romanos sofrem muito de artrite, é sabido. Ficou assim com os dedos de fora, numa curva, para mostrar ao que tinha vindo quando a fizeram.

Abraveses – e não sabia nem pesquisou Pinho Leal – é origem e proverbial Centro do bombo. Não de 80, ou de 70 cm, que desses há onde ver noutras paragens e vêm num segmento de cilindro revestido a pele de cabra. Antes a terra do bombo geométrico que Euclides procurou toda a vida sem conseguir decifrar como atingir mester. Há-os quadrados – e os adufes que vão para o catano, porque são adufes e não bombos. Há-os triangulares – e os ferrinhos para o sítio com eles, que ferrinhos até quem escreve toca. Mais dia menos dia, virão os trapezoidais, ou não passasse por aqui o Pai Natal, aterrando de avioneta e circulando de buggy (as renas não “funcionam” com temperaturas acima de 0º)! E se não vierem de outras formas e formatos e contas, com ângulos difíceis de que se esquece quem não é das matemáticas/engenharias… há variedade suficiente para ser impressionante e substancia q.b. para ficar registado. Está feito!

Este Cancioneiro dito dos “Antiguos” pela população que o protegeu, entrega-se agora a quem o não proteja, mas acrescente, como quando se finta a massa do pão e se lhe encomenda a saúde, antes de a ver multiplicar em qualquer coisa que se sinta no “arrefinfamento” do dente depois da cozedura.

E fica também para a posteridade, um cheirinho do Romance do Tenente-Coronel. (Romance é música particular: assim um tipo específico de canção. Um destes dias se explica.)

Romance do Tenente-Coronel
Se vai de vira,
ai vira que vai o pau,
conte-me Senhor da Casa,
a quem se viu jogar de mau.

Eu contar até podia,
mas não posso se me ouve,
que havia aqui na Terra,
gente grande que se louve.

Ai que me conte Senhor,
que eu quero é saber,
de onde vem a fama,
do que se veio a fazer.

Ora baixinho se não se importa,
le sussurro umas verdades
do Senhor que não sou eu
e que é digno de Potestades.

Conta-se e me contaram,
certo dia num regato,
estava esse Senhor descansado,
e le viu passar um gato.

Azar se a Tia Xica,
Mas como era o Tenente,
nem pau arremessou,
nem lhe ficou temente.

O que ele sabia era dar ordem,
às cousas que andavam bambas
e por não ter filiação,
la desejou criar e dar educação.

Fez tardes no seu terreiro,
sem malha no milho haver,
havia uma dança séria,
para gente pequena aprender.

Primeiros sem mais nada,
uma só moda de estar,
depois com fato e tudo,
para os moços ajeitar.

Este Senhor Tenente
e Coronel e mais cousas,
fez do seu ser também para outros,
num Vira que não dos Minhoutos.

Tal qual e assim se julga,
o Juiz de lá de Barrelas,
só não calçava o Tenente,
umas meias amarelas.

Foi de mansinho aos Teatros
e arranjou mobiliário,
fez d’uma sala auditório
e dos moços gente de ideário.

Há uns até que estudaram
por ele e mais ninguém,
que les assinava as faltas
e dava comida como Pai e Mãe.

Se Abraveses tem fama,
não é p’lo Foral,
é pelos Pauliteiritos,
que assim num iam ao mal.

Mas que se conte baixinho,
baixinho é que se conte,
que as invejas são grandes
e isto nem Rei nem Bisconte!

Marcava as marcações,
no livro de que só há um,
mas o Burguês era quem fazia
como sabia mais nenhum.

Dava este aos ensaios recanto
e andança ao atravancar,
Tinha o Tenente quem fosse,
mais Coronel no avançar.

Mas isso de jogar,
não parece perigoso!
Diz-me que há quem seja,
mais que o Rei invejoso?

Olhe lá onde puder,
espreite onde espreitar,
conhece fama maior,
por maior que seja o lugar?

Se sabem de fora o que há,
aqui querem todos vir,
e não temos grande tempo,
para a todos assistir.

Não joga o pau com maldade,
nenhum deste moços cantados,
nem o queria o Tenente-Coronel,
assim nunca ver pintados!

Joga de mau quem não sabe,
como se faz o compasso,
deixai-lo ir faz favor,
que não há-de ter eira nem regaço.

[NOTA: O Cancioneiro dito “dos Antíguos” é um projeto desenvolvido pela Projecto Património/Memória Comum com os Antigos Pauliteiritos de Abraveses, e apoio do Programa Municipal Eixo Cultura Viseu 2022/2025. Este Cancioneiro inspira-se em Abraveses e nos seus; não espera ser uma monografia, nem sequer o tenta. Os excertos que se apresenta são isso mesmo. Daqui a alguns dias se fará a presentação pública global, com todos e cada um dos envolvidos e sem os quais não se chegava ao resultado a que se chegou. Fica o convite.]

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