fogos anepc3
A live band performing on a stage under blue and purple lights, with a guitarist and a singer at center and other musicians in the background.
appacdm viseu
arrendar casa
Casas Bairro Municipal Viseu 5
janela casa edifício fundo ambiental

No coração verde do concelho de Viseu, Côta é uma aldeia onde…

16.02.26

Nasceu, em Cinfães, a Quinta da Maria, um projeto turístico com alma…

12.12.25

No coração do Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros, há…

21.08.25
jose-damiao-tarouca-232
ps campanha
camapnha10
Line of motorcycles parked in front of a historic municipal building, with riders in white shirts standing beside them on a cobblestone plaza.
Tony-Carreirajpg
5
Home » Notícias » Colunistas » Fragmentos de um Diário – 3 Dezembro 1981

Fragmentos de um Diário – 3 Dezembro 1981

 Lamego: A “Cidade Influencer”
22.07.22
partilhar
 Fragmentos de um Diário – 3 Dezembro 1981

    Vivo numa constante insatisfação. Há algo que me falta, me tortura o corpo de ausências: a vida. Uma vida completa, cheia, forte. Entretanto, vou existindo a meio gás, sei o que tenho de fazer, mas sinto-me tão frágil para pôr em prática tal imperativo. A maioria das pessoas, suponho, enrodilha-se na modorra do quotidiano, as aulas, o café, a cerveja e pouco mais. Raras vezes sentem o apelo da voz interior, vivem na insignificância, na dispersão, longe de si próprias. Tal situação aflige-me, embora reconheça o aspeto sedutor de tal inconsciência. Englobando este problema pessoal, situa-se a questão maior do próprio Homem. A interrogação sobre a sobrevivência da humanidade.
        Estou no café Pigalle. Sozinho. Conheço poucas pessoas que pudessem preencher esta solidão. O mundo lá fora, a velocidade dos carros, o pasmo descarnado das árvores, a lividez das pessoas, são os elementos deste cenário onde escrevo, mas com pouco à-vontade; receio exteriorizar de repente o remoinho dos pensamentos e emoções que me ferem; contenho-me; aliás, a minha existência tem sido pautada por este colete-de-forças que se me cola à pele. Como desejo um abrigo onde pudesse viver uns tempos, livre de tantas obrigações. Viver uns tempos comigo mesmo, a sério, sem ruídos, sem notícias, sem tagarelice.

19 de janeiro de 1982

        Um primeiro encontro num dia qualquer de janeiro. Num grupo de amigos. E num apartamento de alguém. Uma festa ou coisa que o valha. Uns copos a mais ou algo no género e dei por mim num tapete ao lado dela. Parecia que tinha que fazer qualquer coisa. Todos estavam a fazer. E fizemos. Quase não dei por nada, mas fizemos. E ela gostou. Tornei a vê-la e, quase sem querer, comecei a andar com ela. Andar é um modo de dizer que nos encontramos várias vezes. Que ela me procura. E que saímos. Não a amo, claro; mas decerto modo preciso dela, não sei bem. Às vezes, evito-a; outras vezes, procuro-a. Ela está lá sempre. Parece que gosta de mim. Porquê? Talvez porque lhe fujo. Não lhe vou dizer que não tenho coração para ela. Nem alma. Nem desejo. Apenas o corpo. Dou-lhe o corpo porque ela mo pede. Por enquanto, não me pede muito mais, a não ser muitas vezes o corpo.

 Lamego: A “Cidade Influencer”

Jornal do Centro

pub
  • Clube Auchan. Registe-se e comece a poupar
  • Habifactus - Viseu cresce e nós crescemos consigo. A sua imobiliária de confiança há 23 anos.
  • Janelas 4Life. Qualidade, inovação e sustentabilidade
  • ReMax Dinâmica, a agencia numero 1 no Distrito de Viseu
 Lamego: A “Cidade Influencer”

Colunistas

Procurar