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Binaural Nodar cria arquivo digital da memória do concelho de Vouzela

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 Binaural Nodar cria arquivo digital da memória do concelho de Vouzela

O concelho de Vouzela tem a partir desta quarta-feira um arquivo digital sobre gentes, tradições, história e cultura do concelho num total de cerca de 250 documentos, em vários formatos, que podem ser consultados online.

O Arquivo Digital da Memória de Vouzela foi apresentado hoje pela associação cultural Binaural Nodar, que recolheu vários materiais nos últimos anos para dar corpo ao projeto.

“Ao longo de oito anos (desde 2016), recolhemos documentos, fotografias, gravamos músicas e entrevistas com testemunhos, ou seja, conteúdos com uma panóplia grande de informação da região”, disse à agência Lusa Luís Costa, presidente da Binaural Nodar.

O também responsável por este arquivo acrescentou que o acervo disponibiliza online cerca de 250 documentos com informação como, por exemplo, o “cancioneiro tradicional associado aos vários ciclos do ano”.

O repositório dispõe ainda de “muitas gravações ligadas aos vários ciclos agrícolas, memórias específicas ligadas a determinados momentos e que são exploradas por nós através de entrevistas que aprofundámos, fotografias, ou paisagens sonoras do território”, especificou.

A Binaural Nodar, que é membro da Tramontana, uma rede europeia de arquivos digitais de zonas rurais, já realizou outros acervos como, por exemplo, um arquivo sobre a tradição do linho em Várzea de Calde, no concelho de Viseu. Luís Costa realça o trabalho realizado pela associação em Vouzela.

“É um município onde temos trabalhado muito e a ideia foi tentar pensar como é que podemos estruturar um arquivo que, na prática, é um subarquivo de um maior” do qual “fazem parte outras regiões ou projetos”, referiu.

O trabalho de recolha começou em 2016 e, ao longo destes oito anos, a Binaural Nodar percorreu todas as freguesias do concelho de Vouzela para disponibilizar no seu arquivo digital.

“Está catalogado e cada documento tem um conjunto de metadados. Há várias ferramentas de pesquisa”, como “temas ou freguesia, por exemplo, até para que a comunidade local sinta que há um repositório que pode crescer”, sublinhou Luís Costa.

Isto, porque, esclareceu, “não é um arquivo morto, é um acervo vivo em todos os sentidos, porque é possível acrescentar documentos como também há o desejo de que seja usado pelas pessoas para pesquisa, trabalhos académicos, curiosidade, tudo”.

“Nós propomos uma ferramenta que agora existe e já tem um bom conjunto de documentos, mas assumindo-o como um bom ponto de evolução para que as colaborações locais ou outras novas parcerias possam surgir”, realçou.

Com este inventário, defendeu Luís Costa, a Binaural Nodar “está a guardar documentos que se poderiam deteriorar e, com isso, está a valorizar o território, a preservar memória e a história da comunidade”.

Para o presidente da Binaural, através deste arquivo, “é possível dar a conhecer a região, as suas especificidades culturais, sociais e até a forma de estar nas diferentes épocas do ano, o que pode estimular outras atividades até ligadas ao turismo”.

“Isso pode estimular visitas de gente que vem de fora para conhecer de perto, para conhecer pessoas que estão no arquivo, por exemplo, como as histórias ligadas ao minério, ao da relação das comunidades com os ribeiros e rios”, exemplificou.

O arquivo “é um manancial de possibilidades, quer em termos criativos, com criações culturais a partir de documentos do arquivo, quer académicos, com investigação científica, ou turísticos, seja cultural, patrimonial ou outro”, sintetizou o responsável.

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