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O Douro

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04.11.23
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“… nenhum outro vinho exige tanto do homem (…) nenhum
outro é feito a poder de maior bravura e de tais sacrifícios”- Alves Redol, Revista Vértice, 1947

No início deste ano, celebrou-se com grande efusão o Douro como Capital Europeia do Vinho, em Lamego. “Grandes personalidades” foram aparecendo nesse dia para falar sobre o que se tinha então já construído nesta região. Diziam uns, anteriores responsáveis, que as barragens tinham permitido a navegação do Douro, como se o barco Rabelo nunca tivesse existido. Outros recebiam o prémio de edificadores do Museu do Douro, como se o património desta região fosse o momento de corta fitas, esquecendo o ataque que este mesmo governante fez à região, esquecendo quem construiu e trabalhou esta região durante séculos.
Muito poderia honrar ser Capital Europeia, muito poderia permitir investir e desenvolver nesta região, mas os desígnios de quem dirige e governa não seguem os interesses de quem produz e trabalha. Nota-se o apagão cultural, de quem muito escreveu sobre esta região como Alves Redol, de quem nem uma única vez se falou e quem a região não esquece. Região que foi marcada pela miséria, dureza, mas também pela luta e coragem de quem a designa como sua.
Quando se fala do Douro, falamos do papel de governos sucessivos de PS, PSD e CDS, nomeadamente os que tiveram como Primeiros-Ministros, Cavaco Silva, António Guterres, Durão Barroso/Paulo Portas, José Sócrates, Passos Coelho/Paulo Portas.
Governos que prosseguiram uma política deliberada de destruição da Casa do Douro. Esvaziaram-na progressivamente do seu papel regulador da Região Demarcada, através da retirada ou anulação de atribuições e competências, nomeadamente a disciplina do plantio; a classificação das vinhas e elaboração do cadastro; a distribuição do benefício; o monopólio na comercialização da aguardente vínica; a intervenção no mercado, procurando retirar-lhe funções na comercialização de último recurso; a representação da produção, no Conselho Geral do IVDP e depois na Comissão Interprofissional, que substituiu esse Conselho. Tudo isto culminou no final de 2014, com o então Governo PSD/CDS, com a extinção da “Casa do Douro”, com a sua natureza de associação pública.
Estão à vista os efeitos destas decisões, como recentemente foi referido na comunicação social: os grandes exportadores reduzem o preço das uvas, o que conjugado com a redução do benefício, são parte de uma estratégia deliberada para acabar com os pequenos produtores do Douro e concentrar a propriedade nas grandes casas, provocando o abandono na vinha e o despovoamento nesta região.
Questione-se então onde estão aqueles que louvavam a região no início do ano e que hoje se quedam mudos. Questione-se o porquê de homenagear quem muito lesou a região e que hoje não quer resolver os problemas de milhares de vitivinicultores.
Continua a luta pela devolução da Casa do Douro aos durienses, que a 2 de Setembro de 2019 a AR aprovou, e que por pressão do PSD, recuou novamente. Devolução que ainda hoje se encontra em discussão, passados que são nove longos anos sobre um problema que necessita de resolução.
O Douro é Património da Humanidade, e isso significa que quem lá vive e trabalha é parte deste valoroso património e desta Capital e não pode ser esquecido.

“Port-wine é o vinho dos Ingleses.
Chamam-lhe sol engarrafado,
mas só os durienses sabem o preço das tragédias e heroísmos 
que viveram para criar esse sol.
Fazer um astro com as mãos é t
arefa de gigantes”
Alves Redol, Ciclo Port-Wine.

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