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O Símbolo da Construção

 Fragmentos de um Diário – 14 de Agosto de 1982 (continuação)
30.01.23
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 O Símbolo da Construção

Na última semana chamou-me a atenção o comentário de dois homens ilustres do PSD, ambos ex-ministros e a quem reconheço a produção de pensamento. Um é David Justino e dava uma entrevista ao DN, o outro era Moreira da Silva e escrevia no Expresso. Um deixava um pensamento: “Quando se está na oposição temos que fazer duas coisas, criar uma alternativa…E obrigar o governo a governar bem. Aquilo que se está a fazer é obrigar o governo a governar mal”. O outro dizia: “os partidos da oposição não arriscam a apresentação de alternativas e limitam-se a um registo de combate”. Nessa semana aparecia uma sondagem no DN que lhes dava razão. Á pergunta sobre fazer cair o governo, apenas 18% concordava. Sobre se o PSD estava pronto para governar, 63% dizia que não!

Nas nossas práticas fomos assistindo à queda dos governos por si próprios e não por mérito das oposições. Um jogo onde os governos se põem a jeito e a oposição pratica o tiro aos ministros. Isto num mercado escasso de ministeriáveis. Trata-se de um jogo de poder que é um paradoxo, porque logo que ele se obtém, faz dos seus detentores gente superior, que dispensa a ética, a moral e basta-lhes a legalidade. É uma prática que nunca alcança a liderança, porque essa significa servir o país e deve estar quer no governo, oposição e cidadania. O símbolo ancestral da construção é o triângulo e a democracia constrói-se com estes três lados e estes três ângulos. Começámos por anular a cidadania, colá-la aos partidos e depois, como diz Moreira da Silva, entrámos num registo de combate entre os outros dois.

Foi sendo criado um Novo Regime que se chama Negativismo, um jogo pelo poder político onde se perde qualquer hipótese de aprendizagem democrática. Essa aprendizagem tem na sua raiz as alternâncias, um pensamento critico, avaliações, propostas de construção, tudo para que o governo cumpra o seu papel. Essa aprendizagem perde-se quando já não se distinguem os erros dos sucessos e só existem acusações e desconfianças.

Não é a política que é o problema, mas a fraqueza que lhe vem da má política. Fomos construindo um triângulo defeituoso onde faltou a cidadania. O Ser Humano tem vários estados de consciência, desde a vigília ao coma. Nós já deixámos de reagir a sucessivos sintomas e corremos o risco de só reagir a estímulos dolorosos, mas mesmo aí só para fugir á dor!

 Fragmentos de um Diário – 14 de Agosto de 1982 (continuação)

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 Fragmentos de um Diário – 14 de Agosto de 1982 (continuação)

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