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Um ano depois, o cenário repete-se. Bilheteiras encerradas, salas vazias e teatros fechados. Pelo menos, ao público. Lá dentro, guardam artistas desejosos de soltar a voz e viver a liberdade na sua forma mais pura. Desta vez, a cortina abre-se online. Perde-se a beleza efémera dos olhares atentos do público. Ainda assim, conhecemos “Senso”, um espectáculo inspirado nas peças didáticas do dramaturgo alemão Bertolt Brecht sobre a História do Homem. Aliás, pretende-se “dar visibilidade à maneira como o Homem se tem tratado muito mal um ao outro”, assinala Jorge Fraga, encenador da peça, com estreia marcada para este sábado (dia 27). O objetivo? Agitar consciências no Dia Mundial do Teatro.
Lançam-se farpas intervencionistas e aguçadas que questionam a identidade do próprio Homem e a forma como se relaciona com o outro, como reage perante os dilemas da vida. Sente-se “o retrato de uma certa humanidade” a ser delineada em cada recanto do palco. Para este espetáculo, trabalharam-se quatro textos de Brecht, cuja escrita é intensamente ancorada na realidade que se diz que” foram feitos de propósito para discutir estas questões de uma aprendizagem pela realidade”, acrescenta o encenador.
Falamos de lutas que permaneceram até aos dias de hoje. “Claro que se mantêm atuais”, lança Jorge Fraga, reforçando que “damos visibilidade a várias situações em que o Homem é confrontado”. E não demora a dar um exemplo: “temos uma que é o que diz que sim e o que diz que não, que serve de exemplo”.
A ideia passa por incluir o espectador em cena para “tirar as suas conclusões que o levem a questionar sobre o que que anda cá a fazer”, instiga Jorge Fraga. E o verdadeiro desafio foi encenar um espetáculo que não será visto presencialmente: “o público vai assistir através do enquadramento de uma câmara, é muito interessante para mim, uma vez que já disseram que as minhas encenações são muito cinematográficas”, lança, com ar entusiasmado.
Apesar de ser visto digitalmente, a linguagem continua a ser do teatro e a mensagem continua a ser a mesma. Existiram algumas adaptações, mas não no espetáculo em si. “Do ponto de vista técnico, o que é pedido é que quem grava e faz a captação das imagens conheça o texto e consiga perceber a natureza das intenções, das ações e do conflito”, explica, acrescentando que o ‘menos feliz” é o contexto atual de pandemia de Covid-19 “que nos impedem de ter a sala com público e que os atores tenham o privilégio de sentir o calor humano do público”.
Também Patrick Loff Olufson, um dos atores de “Senso”, diz que se trata de “uma peça que vai mexer muito com as nossas cabeças e com os nossos corações. Acredito que nos faz ver o mundo como ele realmente é”.
Não se vai sentir o respirar do espectador. Nem ouvir os típicos aplausos que terminam um espetáculo. Ainda assim, o encenador fala no privilégio “de conseguir que muita gente nos veja” e que será uma boa forma de celebrar o Dia Mundial do Teatro. Além disso, para Fraga, “todos os dias são dias de ir ao teatro” e mais espetáculos virão até porque “o que é importante é que haja atores, espectáculos e que o público possa vir e que esteja interessado em vir”, conclui.