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Fibrilhação auricular: uma história recorrente e uma tecnologia emergente

 Aprender
15.02.26
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 Fibrilhação auricular: uma história recorrente e uma tecnologia emergente

por
Luís Ferreira dos Santos

Maria (nome fictício) tem 66 anos e é pré-reformada. Quando em consulta o médico a questiona sobre os antecedentes patológicos normalmente é rápida e organizada, tal é o número de vezes que já os enumerou: hipertensão arterial por volta dos 45 anos, provavelmente resultado de uma menopausa precoce e histórico familiar; bronquite, que começou por ser alérgica, pois em miúda tossia a todos os odores da primavera, e que agravou por alguns anos de tabagismo, que conseguiu deixar com ajuda médica; e, por fim, a fibrilhação auricular, um tipo de arritmia cardíaca em que existem batimentos cardíacos muito irregulares.

Quando fala da arritmia, perde um certo brilho no olhar. Os primeiros episódiospelos 50 anos, apareciam e desapareciam de forma espontânea, e eram confundidos com ansiedade. O coração descontrolava-se, batia desorganizadamente no peito, no pescoço e Maria, em pânico, ia para o hospital. Mas estes episódios eram curtos e fugazes e todos os exames eram invariável e irritantemente “normais”. 

Quando começava a acreditar que as palpitações efêmeras podiam ser ansiedade, um Holter de 24 horas provou o contrário e diagnosticou fibrilhação auricular paroxística – alterações episódicas ou intermitentes do ritmo cardíaco. Recorda um irracional sentimento de felicidade por finalmente ter um diagnóstico que justificava as queixas. A primeira fase foi a medicação: vários antiarrítmicos, diferentes cardiologistas e diversas opiniões de amigos e colegas, mas sem resultados. Os episódios eram cada vez mais sistemáticos, demorados e incómodos. Começou a ter medo de viajar de avião e de estar sozinha. Sabia sempre onde estava o hospital mais próximo e o telemóvel tinha sempre bateria. Por ano, recorria 3 a 4 vezes à urgência em fibrilhação auricular. Fazia medicação endovenosa para restituir o ritmo normal (sinusal) ou um choque elétrico: o cardiologista dizia que tinha agora uma fibrilhação auricular persistente. Lamentavelmente, os relatórios dos exames ao coração já não eram imaculadamente “normais”. 

Numa consulta de rotina, e pela primeira vez desde o diagnóstico há mais de 10 anos, constatou que estava em arritmia há vários meses. Tinha notado diferenças na capacidade de esforço e sentia-se muito mais cansada, mas não procurou ajuda, saturada de contrariar o que parecia o seu destino final: fibrilhação auricular permanente, irreversível, arritmia até ao fim da vida. 

Em 2025, a proposta foi diferente numa consulta de Arritmologia: realizar um estudo eletrofisiológico com isolamento das veias pulmonares, com uma nova tecnologia chamada eletroporação, muito segura e eficaz, que usa campos elétricos pulsáteis de alta voltagem para eliminar o tecido responsável pela arritmia, sem o aquecer, evitando fístulas ou estenoses (estreitamentos do vaso). Um procedimento que demora pouco mais de uma hora, com anestesia geral e através de duas punções venosas na virilha. Três em cada quatro doentes ficam tratados.

Para Maria, em ritmo sinusal e sem recorrência da arritmia há mais de ano, a intervenção já permitiu a viagem a Moçambique tantas vezes adiada.

Luís Ferreira dos Santos, coordenador de Cardiologia no Hospital CUF Viseu

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