Group of young actors posing on a multi-level rehearsal set with scaffolding, a red door, and hanging laundry in the background.
eta fagilde
escola da avenida
arrendar casa
Casas Bairro Municipal Viseu 5
janela casa edifício fundo ambiental

No coração verde do concelho de Viseu, Côta é uma aldeia onde…

16.02.26

Nasceu, em Cinfães, a Quinta da Maria, um projeto turístico com alma…

12.12.25

No coração do Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros, há…

21.08.25
jose-damiao-tarouca-232
ps campanha
camapnha10
vinho_queijo_pao
vinhos adega vila nova tazem
A sunny riverside beach with people sunbathing under straw umbrellas on a sandy shore, next to a calm green river framed by forested hills.
Home » Notícias » Colunistas » Fragmentos de um Diário – 3 de novembro de 1982 (continuação)

Fragmentos de um Diário – 3 de novembro de 1982 (continuação)

 SP – Opinião - Jornal do Centro
15.10.22
partilhar
 Fragmentos de um Diário – 3 de novembro de 1982 (continuação)

Os dias correm, não diria sem interesse, mas sem grandes surpresas. No que se refere às pessoas, creio que os seus interesses culturais se regem pelo gosto normal e estabelecido. Quanto à beleza física, só a minha colega Emanuela se evidencia: é bonita, meiga e um tanto enigmática. Mas o aspeto físico não é tudo, mas sim o nível das preocupações, a qualidade dos desejos e a simpatia.

Como dizer que, apesar da ausência da Fátima, estou bem? Vivo cada dia. A saudade, a melancolia, a depressão são mais breves, não chegam a atordoar. E se isto não significa alegria, também não implica indiferença. Sinto-me vivo. Se a finitude do humano ainda me perturba, consigo encará-la com ironia, mais docemente. Um sentimento que me assalta muitas vezes é o de me sentir vivo; de repente, tenho consciência nítida dos meus passos, dos meus gestos, do meu corpo, do aqui e agora.

6 de Novembro de 1982

De repente, ocorreram-me estas questões: Como formar um filho? Crescer com ele, fazer o caminho com ele. Como? Respeitando-lhe a autonomia, mas ao mesmo tempo salvaguardá-lo dos abismos, da derrota, da falsidade, do ouro, da ignorância que não se sabe ignorante, do folclore arrivista deste mundo do lucro e do espetáculo. Em poucas palavras, ajudá-lo a fazer-se humano e por isso também divino.

Um filho, ou filha, serão a prova dos nove de toda a filosofia pensada, da pedagogia aprendida, de toda a literatura lida; tudo convocado para a árdua tarefa da formação. Mais a disponibilidade interior, e a invocação da esperança e do encantamento.

De cada vez que nascesse uma criança dever-se-ia inventar um novo mundo. Sem os erros antigos, as armadilhas e os velhos vícios. Recriação. Reencantamento.

Na verdade não é um mundo novo o que recebe a nova geração. Mas duro, ingrato, superficial, que devora o que há de mais sagrado. E que impõe um estilo de vida que corrói toda uma possível pureza interior. A brutalidade da realidade a esmagar qualquer veleidade ou ilusão. Somos seres para a morte! Pessoas, objetos, símbolos, vivências, tudo passará. Sem hipótese de resistência.

A vida continua, diz-se. Devorando tudo. Sem sentido. Sem redenção. Sem memória. Como folhas secas varridas pelo vento.

 SP – Opinião - Jornal do Centro

Jornal do Centro

pub
  • Two hands hold a purple promotional card in front of a split red/yellow background showing a 15% discount offer for Clube Auchan (June 25–28) on purchases over €30.
  • Janelas 4Life. Qualidade, inovação e sustentabilidade
  • Habifactus - Viseu cresce e nós crescemos consigo. A sua imobiliária de confiança há 23 anos.
  • ReMax Dinâmica, a agencia numero 1 no Distrito de Viseu
 SP – Opinião - Jornal do Centro

Colunistas

Procurar