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Fragmentos de um Diário – 10 de Agosto de 1983 (continuação V)

 É só bola!
21.01.23
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 Fragmentos de um Diário – 10 de Agosto de 1983 (continuação V)

Ainda abordámos durante mais algum tempo a questão da nossa futura convivência. Da noite, as sombras foram lentamente mastigando o interior da sala. Não nos importámos, recolhidos na nossa conversa. Mas, por fim, ela pediu desculpa por ter orientado o nosso tempo para este tipo de especulação psicológica. Respondi-lhe que fizera bem, que se não deve ocultar o que nos preocupa e ensombrece a alma. Observou que seria uma desilusão terrível que depois do sonho e do ideal sobrasse apenas a derrota. Confessei-lhe que por mim seria o fim da vida, decerto não sobreviveria a esse descalabro. Nada de mal nos irá acontecer, disse ela. Os deuses não o permitirão. E se têm estado do nosso lado, decerto continuarão, assim o mereçamos.

A escuridão instalara-se como senhora da casa. No silêncio, escutava-se o murmúrio das folhas das árvores do jardim. Sentíamo-nos bem no nosso castelo, protegidos do mundo e do seu desassossego. Nenhum seu vestígio invadia o nosso casulo. O mundo não existia. As pessoas não existiam. O futuro não existia. Só nós, sentados ao lado um do outro. Pedi-lhe que viesse para o meu colo. Veio. Despi-lhe a blusa, puxando-a ao longo do peito e do pescoço, até a tirar por completo. Náufragos neste rio de sombras, dei-lhe os primeiros beijos onde calhava, como marinheiro à deriva, na face, nos lábios, nos seios. Ela não se mexia, deixando-me o exercício noturno da descoberta. Fui-lhe puxando o fecho das calças, desapertei-lhe o botão de cima, e, com uma ajuda dela, também lhas tirei. Mesmo sem bússola, em breve navegávamos águas de um império antigo e de antiga sabedoria.

Os dias passaram-se numa festa dos sentidos e dos afetos. Até a atmosfera da casa ganhou ainda mais cor, risos, descontração. As cenas da vida doméstica fluíram mais ligeiras, como um rio a descer da montanha. A conversa, os passeios, as refeições, o estar e o ser tornaram-se menos densas, menos filosóficas. A filosofia só descia do céu à terra à hora da coruja de Minerva, como dizia o alemão. De noite, é que eu e a Fátima voltávamos, por momentos, ao nosso diálogo, ao nosso encontro com a poesia e o amor.

 É só bola!

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