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Fragmentos de um Diário – Moura, 8 de Setembro de 1984

 Direito à Cultura!
17.06.23
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 Sentado, olho o caderno aberto. Medito. Ou melhor, invadem-me pensamentos, ideias, sentimentos, todos desencontrados. Ouço Joan Baez. Que voz! Mas não é só a voz, também a mensagem. Que pensará ela agora, após o sonho do movimento hippie? Não me esqueço de uma ocasião, em Coimbra, num cinema que apresentava um filme sobre um festival de música daqueles anos. A Joan Baez participou com uma ou duas canções. A reação de alguns putos de liceu foi lastimável no modo como aos berros e assobios manifestavam a sua barbárie cultural.
Ontem, convidado para um jantar de aniversário, excedi-me. Foi em casa da Rosinha, uma colega de História que namora com um aluno, filho de um casal comunista até há pouco exilado na Alemanha de Leste. Também é meu aluno e não raras vezes me deixa aflito com questões de filosofia. É que a escola alemã obriga ao ensino de Marx e portanto também da dialética hegeliana e arredores.
        Mas comecei por escrever que me tinha excedido. Comi bem, bebi muito, fumei demais, discuti em excesso e deitei-me tarde depois de ainda ter ido à discoteca. E tudo isto com a perceção estranha, ambígua, indefinida de um grande vazio. A jovem amante de poesia, de quem já escrevi noutra altura, a única que aqui conheço para quem a poesia é a expressão da alma do mundo, acompanhou-me a casa. O verbo acompanhar é um eufemismo, ela amparou-me até casa. Pelo caminho, repetia-lhe que nada daquilo tinha a ver com o viver em plenitude. Qual o caminho, então? Perguntava-lhe eu. Não me recordo do que ela me respondia, mas não me esqueço que subiu comigo, me deitou na cama, me despiu as calças, e que se aconchegou, vestida, ao meu lado até de manhã. Nada aconteceu. Ao raiar do dia, saiu, depois de se certificar que eu estava bem. Bem, mas ressacado. Que gentileza da parte dela! E, no entanto, namora com um bronco.

10 de Setembro de 1984

Gripe: faltei às aulas, enfiei-me na cama. Tenho levado um dia recolhido. O convívio cansa-me, talvez as pessoas estejam velhas. Ou sou eu que envelheci. Mas a verdade é que me satura debater seja o que for ou navegar penosamente no charco da banalidade. Pensei que o problema era o nível da conversa. Mas mesmo um tema interessante rapidamente me aborrece. Às vezes acontece excitar-me, falar com paixão, quase com fúria, mas descubro depois o logro e arrependo-me.

 Direito à Cultura!

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