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por
Francisca Damião
Nutro interesse por política desde os quatorze anos.
Quem lê esta minha afirmação poderá ter uma de três reações, às quais, devo dizer, já me habituei: perde a curiosidade, por entender que desperdiçará o seu tempo a ler; interpreta a palavra “interesse” no sentido literal de obtenção de proveito próprio, desvalorizando qualquer outra argumentação que o texto apresente, ou, continuará a ler por o tema ser relevante e despertar a sua atenção.
Admito que me custa aceitar as duas primeiras reações que vinculam, por um lado, a indiferença, intimamente ligada ao descrédito na política, por outro, a interpretação da palavra “interesse” associada à perturbante perceção de que toda e qualquer pessoa que esteja ligada à política pretende beneficiar ou já beneficiou dela.
São reações que se massificaram, atrevo-me a dizer que se normalizaram, na comunicação social, redes sociais, conversas de café, em família… e porquê?
Dado o meu tenro percurso político, limitar-me-ei a referir o que me preocupa e o que acredito ser o cerne da questão: a falta de seriedade de muitos, a ambição pessoal, a crítica fácil e gratuita e a desconsideração dos valores ético-democráticos da ação política.
Se acrescermos o facto de que, em período eleitoral, atento o interesse em ganhar a todo o custo a eleição, muitos se permitem agudizar aquelas “fragilidades” e substituir, ainda, a moderação pelo radicalismo, a honestidade pelo calculismo a que juntam a mentira como trunfo político, estão reunidas as condições para a descredibilização da política, em prejuízo da Democracia e das próximas gerações.
Possuo convicções e princípios que me levam a repudiar aquela forma de atuar que promove o populismo e os extremismos e felizmente, são muitos os que assim entendem, os que acreditam, como eu, que a Política é dever de cidadania.
Neste sentido, é sabido que decorre o período eleitoral autárquico.
Importará relevar que as Autarquias Locais tornam a Democracia tangível, mais próxima, ao estreitar a relação entre eleitores e decisores, mas também a tornam mais forte, ao facilitar a participação cívica. Com as Autarquias o poder decisório sai dos gabinetes distantes e desce à rua, escuta, vê e sente o pulsar das comunidades, das suas necessidades e anseios (sem perder o imperativo constitucional da coesão nacional).
Ao falar de Autarquias é inevitável falar dos Autarcas – aqueles que assumem um compromisso diário com a sua terra, com a sua gente, com o futuro coletivo; aqueles que defendem o interesse dos seus concidadãos e não interesses pessoais. O seu papel é determinante como é determinante que os eleitores exijam dos autarcas, ou candidatos a autarcas, um elevado nível de competência; integridade; visão estratégica; capacidade de utilizar, de forma rigorosa e transparente, os recursos públicos; capacidade de exigir, do governo central, os investimentos essenciais ao desenvolvimento económico e social do seu território e capacidade de apresentar propostas sérias e exequíveis.
A estes mesmos eleitores cabe, também, não se deixarem iludir por discursos vazios ou promessas fáceis, imediatistas e impossíveis de cumprir.
Em Viseu, houve quem, neste processo eleitoral, optasse por se apressar a colocar (massificar) outdoors para enraizar nas pessoas um rosto, um slogan e o respetivo partido, por fazer proliferar, nas redes sociais, perfis falsos para multiplicar, rápida, excessiva e gratuitamente, opiniões sobre um Autarca, um partido, um projeto político.
Em simultâneo, desvaloriza-se tudo o que foi feito, descartam-se décadas de trabalho sério, ignora-se o reconhecimento nacional de um projeto que fez e faz de Viseu um exemplo de governação local, como se a história pudesse ser reescrita apenas por palavras, como se o progresso nascesse da negação do passado e não da sua valorização.
Existe um alvo a abater sem qualquer despudor, porque importa fazer sobressair um “novo projeto” vazio de substância, cheio de promessas vãs e dúbias quanto à sua viabilidade e credibilidade, um projeto que cabe na vaidade de um ego. Assiste-se, dia a dia, a um espetáculo de puro desespero político.
É estratégia?
Será. Molda-se a opinião pública, criam-se perceções, espalham-se mentiras, propaga-se a desinformação, fomentam-se ilusões e a ideia de uma “nova energia”.
E o projeto para Viseu? É um enigma.
Obviamente que é primordial existir espaço para a diferença de ideias e convicções, dela nasce o progresso e cresce a Democracia, mas foram, já, ultrapassados os limites, decerto porque, saber defini-los implicaria ter a noção clara da nobreza da política e de saber estar nela, o que será “pedir muito”.
Perante um exemplo claro de Demagogia e descredibilização da política, os Viseenses saberão escolher a Verdade.
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